Coreia do Sul diz que Pyongyang pode testar novos mísseis

Protestos eem Seul contra teste nuclear da Coreia do Norte (AFP, 25/5)
Image caption Coreia do Sul passará a fazer parte de iniciativa contra tráfico do armas

O governo da Coreia do Norte estaria se preparando para lançar mísseis de pequeno alcance em sua costa oeste nos próximos dias, informou, nesta terça-feira, a agência sul-coreana Yonhap, citando uma autoridade da Coreia do Sul.

De acordo com a agência, o governo de Pyongyang teria proibido a circulação de navios em sua costa ocidental, em um aparente preparativo para o lançamento de mísseis do tipo KN-01, que têm alcance de cerca de 160 km.

"A proibição na navegação tem efeito entre os dias 25 e 27. Parece provável que a Coreia do Norte irá lançar mísseis de curto alcance entre hoje (terça-feira) ou amanhã", afirmou a fonte à agência Yonhap.

A costa ocidental é um dos pontos de conflitos entre as Coreias do Norte e do Sul. Os dois países permanecem tecnicamente em guerra desde que uma trégua colocou fim aos enfrentamentos da Guerra da Coreia, em 1953.

De acordo com o governo sul-coreano, Pyongyang teria lançado três mísseis de pequeno alcance após o teste nuclear subterrâneo desta segunda-feira.

Após o teste nuclear, o governo da Coreia do Norte publicou um comunicado na agência estatal KCNA afirmando estar preparado para qualquer "ataque preventivo" por parte dos Estados Unidos.

"Está claro que nada mudou na política hostil dos Estados Unidos em relação à Coreia do Norte, mesmo sob o novo governo americano", diz o comunicado.

"Nosso Exército e nosso povo estão prontos para lutar (...) contra qualquer tentativa irresponsável por parte dos EUA em lançar um ataque preventivo", diz o documento.

Compromisso

Com o aumento da tensão na região após o anúncio do teste norte-coreano, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversou por telefone, nesta segunda-feira, com o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, e o primeiro-ministro japonês, Taro Aso.

Segundo a Casa Branca, os líderes teriam "concordado em trabalhar juntos para buscar uma resolução forte por parte do Conselho de Segurança da ONU com medidas concretas para interromper as atividades balísticas e nucleares da Coreia do Norte".

Obama também reafirmou ao premiê do Japão "o compromisso inequívoco" dos EUA "com a defesa do Japão e a manutenção da paz e da segurança no nordeste da Ásia".

De acordo com a agência Yonhap, os ministros da Defesa da Coreia do Sul e da China devem se encontrar para discutir uma ação conjunta na crise.

"Declaração de guerra"

Nesta terça-feira, o governo da Coreia do Sul anunciou que passará a fazer parte do Proliferation Security Initiative (PSI), um programa patrocinado pelos Estados Unidos para tentar evitar o tráfico de armas de destruição em massa.

Por diversas vezes, o governo de Pyongyang afirmou que a participação da Coreia do Sul na iniciativa seria considerada "uma declaração de guerra".

Lançado em 2003, o PSI não tem nenhum país como alvo declarado.

A Coreia do Norte, no entanto, suspeita de exportar armas ilícitas, é vista como um dos principais alvos do programa.

Resolução

Na noite desta segunda-feira, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou, de modo unânime, o teste nuclear feito pelo governo da Coreia do Norte.

Após uma reunião de emergência, os membros do Conselho afirmaram que o teste é "uma clara violação" das resoluções de 2006 do CS, que proíbem a Coreia do Norte de desenvolver atividades nucleares.

O representante da Rússia, Vitaly Churkin, que ocupa a Presidência rotativa do órgão, afirmou que os membros do Conselho concordaram em começar a trabalhar imediatamente em uma nova resolução sobre a Coreia do Norte.

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