Ministro confirma que destroços encontrados são de Airbus

Navio Constituição parte do Rio de Janeiro
Image caption O Constituição é um dos navios brasileiros envolvidos nas buscas

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta terça-feira que destroços encontrados pela Força Aérea Brasileira (FAB) no Oceano Atlântico são mesmo do Airbus 330-200 da Air France, que desapareceu no trajeto entre o Rio de Janeiro e Paris no final da noite do último domingo.

De acordo com Jobim, um avião Hércules da FAB identificou uma faixa de cinco quilômetros de destroços que confirma que o avião caiu na região localizada a cerca de 650 quilômetros do arquipélago de Fernando de Noronha.

Os destroços incluem uma grande quantidade de materiais metálicos, mas, segundo Jobim, nenhum corpo foi avistado.

O ministro Nelson Jobim também afirmou que, de acordo com a Convenção de Aviação Civil Internacional, as investigações sobre os motivos do acidente devem ser conduzidas pelo governo francês, com o apoio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), do governo brasileiro.

As buscas prosseguem pela madrugada desta quarta-feira, sendo conduzidas por um avião R-99 e três aeronaves Hércules C-130.

As Forças Armadas da França disseram nesta quarta-feira à agência de notícias France Presse que "não há mais dúvidas" sobre a origem dos destroços encontrados pelos aviões brasileiros, mesmo que nenhum material tenha ainda sido resgatado e submetido a uma análise técnica.

Ainda segundo a France Presse, nesta quarta-feira, um avião-radar Awacs francês deve realizar uma "cartografia" dos destroços para tentar determinar o local do acidente, o que poderia ajudar na recuperação das caixas-pretas do Airbus 330-200.

Navios

Três navios mercantes, dois holandeses e um francês já chegaram à região onde os destroços foram encontrados e realizam buscas na área.

A previsão é de que um navio da Marinha brasileira chegue ao local nesta quarta-feira. Outros quatro navios já partiram para a região e devem alcançá-la nos próximos dias.

Os primeiros indícios de destroços na área foram captados pelo radar de uma aeronave da FAB por volta de 1h (horário de Brasília). Pouco depois, por volta das 6h49, um outro avião enviado ao ponto indicado fez o reconhecimento visual das peças em alto mar.

A localização coincide com a região de onde a aeronave teria enviado um sinal automático à Air France, indicando uma pane eletrônica.

França

Os destroços do avião localizados pelas aeronaves brasileiras representam uma pista "muito séria" nas investigações, na avaliação do Exército francês.

Segundo o porta-voz do Estado Maior das Forças Armadas, Christophe Prazuck, dois navios militares franceses devem chegar à área das buscas na próxima sexta-feira e no sábado.

O governo francês também planeja enviar rapidamente um navio que realiza buscas submarinas, equipado com dois robôs que podem operar a até 6 mil metros de profundidade, segundo o ministro da Ecologia, também encarregado da pasta dos Transportes, Jean-Louis Borloo.

O primeiro-ministro francês, François Fillon, afirmou - em uma sessão no Parlamento na tarde desta terça-feira - que "começou a corrida contra o relógio para encontrar as caixas pretas do Airbus", que emitem sinais por 30 dias.

A França também vai reforçar na quarta-feira as operações aéreas de busca, nas quais já atuam dois aviões Atlantique 2 e um Falcon 50, com um avião radar Awac.

Cerimônia ecumênica

Na tarde de quarta-feira, uma cerimônia ecumênica para os parentes e amigos das vítimas será realizada na catedral Notre-Dame de Paris, com a presença do presidente Nicolas Sarkozy.

O voo AF 447, com 228 pessoas de 32 nacionalidades à bordo, desapareceu dos radares no final da noite de domingo. O último contato da aeronave ocorreu por volta das 2h GMT de segunda-feira (23h de domingo, hora de Brasília), quando o avião atravessava uma área de turbulência.

Cerca de dez sinais de problemas elétricos foram enviados automaticamente do avião antes de ele desaparecer sobre o Oceano Atlântico.

A maioria dos passageiros era formada por brasileiros e franceses. Centros de informações para familiares e amigos foram instalados nos aeroportos Charles de Gaulle, em Paris, e em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

*Com informações de Fabrícia Peixoto, da BBC Brasil em Brasília, e Daniela Fernandes, de Paris para a BBC Brasil.