'Airbus emitiu 24 mensagens de erros em 4 minutos'

Image caption As buscas por caixas-pretas e destroços continuam no Atlântico

Representantes do Centro de Investigações e Análises de Acidentes Aéreos da França (BEA, na sigla em francês) afirmaram neste sábado que o Airbus da companhia aérea Air France que fazia o voo 447 emitiu 24 mensagens automáticas de erros nos sistemas em quatro minutos, antes de desaparecer dos radares com 228 pessoas a bordo.

Destas, 14 foram transmitidas logo no primeiro minuto, entre 23h10m e 23h11m, de Brasília. A maioria dos sinais acusou pane nos sistemas de velocidade e um deles revelou inoperância do piloto automático, que poderia ter sido desligado pelos pilotos ou automaticamente, também por causa da pane no sistema velocidade.

"Pode ter sido uma parada voluntária ou uma pane real. O sistema não detecta se depois isso voltou ao normal", disse Paul-Louis Arslanian, diretor do BEA, em uma entrevista coletiva nos arredores de Paris.

Os especialistas franceses chegaram à conclusão de que tampouco se pode dizer que as condições meteorológicas eram "excepcionais" na região, embora ressaltem que essa análise não leva em conta a composição interna das nuvens, já que só podem ser feitas a partir de imagens de satélites.

As autoridades da França também fizeram questão de destacar que ainda não têm informações suficientes para determinar com precisão o que aconteceu com o Airbus, que viajava do Rio de Janeiro a Paris, já que isso só deve ser possível após a análise das caixas-pretas.

"É preciso ser realista, essa investigação será longa", afirmou Arslanian.

Falha no sensor

Ele confirmou "incoerências" no sistema de cálculo de velocidade do voo 447, mas afirmou que elas já foram detectadas em outras aeronaves no passado, e que a Airbus teria um programa de reposição de um sensor externo que permite o cálculo de velocidade nessas aeronaves.

"Houve um certo número de defeitos como estes nos A330 e há um programa de trocas, de desenvolvimento", disse Arslanian.

Os investigadores afirmam que apesar de o problema no sensor ser recorrente, o "modelo A330 é seguro".

O diretor do BEA acrescentou que o número de investigadores franceses envolvidos no inquérito dobrou na última semana e já envolve cem especialistas. Na semana que vem, a equipe deve ser reforçada por um grupo de especialistas que chegará do Brasil.

Já as equipes de busca correm contra o tempo para localizar as caixas pretas no oceano. De acordo com Arslanian, assim que uma zona de busca mais restrita puder ser definida, navios vão vasculhá-la com microfones de profundidade.

No entanto, o especialista fez questão de ressaltar a dificuldade de encontrar os equipamentos, que têm o tamanho de uma pilha grande.

Na sexta-feira, o ministro da Defesa da França, Herve Morin, afirmou que um submarino também foi enviado à região das buscas para ajudar a localizar as caixas pretas com um sofisticado sistema de sonar.

Clarão

Os investigadores estão entrando em contato com todos os pilotos de voos que cruzaram a região no dia do acidente.

Eles teriam conversado inclusive com o piloto do avião da companhia aérea espanhola Air Comet, que afirmou ter visto um clarão, e descartaram a hipótese de que ele estivesse associado ao Airbus, já que ele estava "várias centenas de quilômetros de distância do Airbus".

Os especialistas também desmentiram as versões de que a altitude em que o avião voava, de 35 mil pés em vez dos 37 mil previstos, indique algum problema.

De acordo com os investigadores, a relação entre o peso que o A330 transportava e o combustível consumido até o momento em que desapareceu indicam que ele estaria em uma altitude de cruzeiro "perfeitamente normal".

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