Partidos de centro-direita avançam em eleição europeia

O Partido Popular, de centro-direita da Espanha, foi um dos vencedores da noite
Image caption O Partido Popular, de centro-direita da Espanha, foi um dos vencedores da noite

Os partidos de centro-direita ganharam terreno nas eleições para o Parlamento da União Europeia (UE) realizadas em 19 países neste domingo, segundo pesquisas de boca-de-urna.

Os números preliminares sugerem também que esta eleição foi marcada pelo menor comparecimento já registrado, de 43,39% dos eleitores. Ao todo, estão em jogo 736 cadeiras do Parlamento europeu.

Os primeiros resultados começaram a ser divulgados logo depois do fim da votação no início da noite. Além dos 19 países que votaram neste domingo, outros oito votaram nos dias anteriores, entre eles Grã-Bretanha e Irlanda.

Partidos de centro-esquerda calcularam que perderam quase um quarto de suas cadeiras no Parlamento europeu.

Outros grupos menores, como o formado por partidos de ambientalistas também ganharam terreno enquanto o terceiro maior grupo no Parlamento, os liberais, perdeu cadeiras.

Segundo a correspondente da BBC em Bruxelas Oana Lungescu, 375 milhões de pessoas nos 27 países da União Europeia estavam aptas a votar.

Lungescu acrescenta que o comparecimento dos eleitores vem caindo desde a primeira eleição direta para o Parlamento europeu, há 30 anos, mas este novo recorde na queda do comparecimento vai prejudicar a credibilidade do bloco e beneficiar os partidos menores.

Em 1979 o comparecimento ficou próximo dos 62% dos eleitores. Mas, em 2004, este número foi de 45,74%.

Estes partidos menores, de acordo com a correspondente, parecem ter se saído bem da Hungria à Holanda. Os partidos conservadores são os favoritos na França, Itália e Alemanha e os partidos de governo destes países parecem ter se saído relativamente bem.

'Vitória inegável'

O correspondente da BBC em Bruxelas Jonny Dymond afirmou que tudo indica que o partido de centro-direita Partido do Povo Europeu (EPP, na sigla em inglês) deve continuar a manter o poder no Parlamento.

José Manuel Durão Barroso, que deve assumir um segundo mandato como presidente da Comissão Europeia depois da vitória do partido de centro-direita, agradeceu aos eleitores e garantiu a eles que suas vozes seriam ouvidas.

"No geral, os resultados são uma vitória inegável para aqueles partidos e candidatos que apoiam um projeto europeu e querem ver a União Europeia respondendo, com suas políticas, às preocupações cotidianas", afirmou.

O líder socialista Martin Schuls afirmou que a derrota de seu grupo seria analisada.

"É uma noite triste para a social democracia na Europa. Estamos particularmente decepcionados, (é) uma noite amarga para nós", disse.

Derrotas de governos

Grupos menores parecem ter se beneficiado e partidos de extrema-direita conquistaram cadeiras no Parlamento em países como Holanda, Áustria, Eslováquia e Hungria. O partido de extrema-direita britânico, Bristish National Party (BNP) conseguiu a primeira cadeira para a Grã-Bretanha.

Vários governos europeus, que estão enfrentando a crise econômica global, devem enfrentar derrotas pesadas, segundo Oana Lungescu.

No entanto, partidos de governo na França e Alemanha parecem ter se saído relativamente bem.

O partido de governo francês, o UMP do presidente Nicolas Sarkozy, derrotou os socialistas e o partido ambientalista Europe-Ecologie também conseguiu vitórias.

A coalizão de centro-direita da chanceler alemã Angela Merkel perdeu terreno no Parlamento europeu mas ficou à frente de seus adversários.

Image caption O partido Jobbik, da Hungria, foi um dos vários grupos de extrema-direita que foram bem na eleição

Na Espanha o partido de governo, socialista, ficou um pouco atrás da oposição, o Partido Popular, segundo os resultados parciais.

Na Itália, a coalizão de centro-direita do primeiro-ministro Silvio Berlusconi ficou à frente da oposição, socialista, conseguindo entre 39% e 43% dos votos, segundo pesquisas de boca-de-urna.

Grupos

Os eleitores escolheram representantes principalmente de seus partidos nacionais. Muitos deles então se juntarão a grupos maiores da União Europeia, que tenham ideias semelhantes, de outros países do bloco.

O maior grupo nos últimos cinco anos é o de centro-direita EPP (288 cadeiras), seguido pelo grupo de centro-esquerda PES (216 cadeiras) e o liberal ALDE (100).

Além do recorde no baixo comparecimento dos eleitores pelo bloco todo, alguns países também registraram os níveis mais baixos de participação em toda sua história, como foi o caso da França, com 40,5% de comparecimento, e da Alemanha, 42,2%.

Em Malta, por outro lado, é esperado o comparecimento de 80%. E, em Bruxelas, onde as longas filas foram registradas nos locais de votação, também se espera alto comparecimento.

Os resultados do pleito é aguardado ansiosamente entre os britânicos, já que pode afetar a política nacional depois de semanas de crise no país.

A crise começou com o escândalo do reembolso de gastos pessoais de parlamentares, detonado pela publicação de relatórios de despesas apresentadas por integrantes do governo e da oposição.

Com isso, o partido do premiê britânico Gordon Brown, o Trabalhista, amargou derrotas nas eleições locais, enfrentou pedidos de renúncia e foi obrigado a realizar uma reforma ministerial.