Polícia e manifestantes entram em choque em Teerã

Imagem enviada à BBC de Teerã no sábado (foto: blog Tazahorate)
Image caption Autoridades montaram forte esquema de segurança em Teerã no sábado

A polícia iraniana usou canhões de água, cacetetes e gás lacrimogêneo para dispersar alguns manifestantes que foram às ruas neste sábado em protesto em Teerã, de acordo com testemunhas.

Um correspondente da BBC na praça Enghelab, em Teerã, disse ter visto uma pessoa tomar um tiro e outras pessoas ficarem feridas em um confronto entre manifestantes e o forte esquema de segurança que foi montado no local. Além da polícia militar, participa da operação a milícia Basij, um grupo paramilitar que apóia a Revolução Islâmica. O correspondente da BBC afirma que é possível ver uma coluna de fumaça preta sobre a praça.

Segundo a agência de notícias Associated Press, 3 mil pessoas protestaram na praça de Enghelab, entoando cantos de "Morte à ditadura". A agência Reuters noticiou que simpatizantes do candidato derrotado Mir Hossein Mousavi teriam incendiado um prédio no sul de Teerã usado por apoiadores do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Os manifestantes protestam contra supostas fraudes na eleição do dia 12 de junho, que reelegeu Ahmadinejad, com 63% dos votos.

Na sexta-feira, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, havia exigido o fim das manifestações contra o resultado da eleição. A polícia fez um alerta público para que oposicionistas não se reunissem nas ruas da capital do país. No entanto, muitas pessoas foram às ruas neste sábado na região central de Teerã.

Uma testemunha disse à agência de notícias AFP ter visto um policial agredindo pessoas que estavam tentando ir ao local. Outra testemunha disse à AFP ter visto cerca de mil pessoas em frente à Universidade de Teerã, que fica próxima à Enghelab.

Duas agências iranianas de notícias afirmaram que duas pessoas ficaram feridas na explosão de uma bomba próximo ao templo em homenagem ao aiatolá Khomeini, líder da Revolução Islâmica de 1979.

Ainda não há confirmação de outras agências de notícias. O correspondente da BBC afirmou que não há indícios de que esta informação seja correta. O trabalho da imprensa tem sido restringido por medidas adotadas pelo governo do Irã, o que dificulta a checagem de informações.

Líderes da oposição

Durante o sábado, alguns líderes da oposição sugeriram que estavam apoiando as manifestações.

Zahra Rahnavard, a esposa do candidato derrotado Mir Hossein Mousavi, disse, em uma mensagem na sua página no site Facebook, que a marcha planejada para este sábado aconteceria como previsto.

Uma pessoa ligada a outro candidato derrotado, Mehdi Karroubi, disse à BBC que a passeata contaria com a presença de Mousavi e de seu aliado Mohammad Khatami, o ex-presidente reformista. No entanto, em declaração posterior, a mesma pessoa disse que o seu partido havia cancelado o protesto deste sábado.

Mousavi, que não se manifestava há dois dias, enviou uma carta neste sábado ao Conselho dos Guardiões reiterando seu pedido de que a eleição seja anulada.

Autoridades policiais do Irã manifestaram-se contra as demonstrações. O chefe do Conselho de Segurança Estatal do Irã, Abbas Mohtaj, fez um alerta direto a Mousavi.

"Se você provocar e convocar mais destes protestos ilegais, você será responsabilizado pelas consequências", disse. A TV estatal também transmitiu um alerta feito por uma autoridade de segurança, que afirmou que a polícia não vai aturar mais protestos na rua.

A TV estatal do Irã anunciou neste sábado que o Conselho dos Guardiões disse estar pronto para dar início a uma recontagem de 10% das urnas, que seriam escolhidas aleatoriamente.

A oposição afirma que as eleições do dia 12 de junho - que reconduziram Mahmoud Ahmadinejad à presidência do Irã, com 63% dos votos - foram fraudadas. Os oposicionistas levaram os protestos às ruas, com participação de centenas de milhares de pessoas - as maiores manifestações do tipo desde a Revolução Islâmica de 1979.

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