Obama condena golpe 'ilegal' em Honduras

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama
Image caption Obama disse que o golpe poderia abrir um 'precedente terrível'

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou nesta segunda-feira o golpe de Estado em Honduras e disse que a deposição do presidente Manuel Zelaya é ilegal.

As declarações de Obama foram feitas em Washington após uma reunião do presidente com o líder da Colômbia, Álvaro Uribe.

Segundo Obama, caso Zelaya não volte à Presidência, o golpe estabeleceria um "terrível precedente".

O presidente americano afirmou ainda que trabalhará com a Organização dos Estados Americanos (OEA) para restituir o presidente.

Zelaya foi detido no último domingo, data marcada para um plebiscito sobre a ideia de uma consulta sobre a possibilidade de se mudar a Constituição do país.

Depois do golpe, o então presidente do Congresso, Roberto Michelleti, assumiu o cargo interinamente.

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Zelaya foi convidado pela ONU para fazer um discurso na sede da organização e deve realizar o pronunciamento na terça-feira.

Protestos

Nesta segunda-feira, homens das Forças Armadas e da polícia de Honduras utilizaram balas de borracha para dispersar centenas de manifestantes que protestavam pela volta de Zelaya em frente ao palácio presidencial, na capital Tegucigalpa.

Em entrevista à BBC Mundo, Kellyn Sierra, da Cruz Vermelha, afirmou que foram atendidos cerca de 50 feridos por balas de borracha durante o protesto.

Sierra, no entanto, não pôde confirmar se houve mortes durante a repressão à manifestação.

Os simpatizantes de Zelaya carregavam paus e correntes e teriam feito barricadas em ruas próximas ao palácio, no centro de Tegucigalpa.

Vitrines de lojas também teriam sido quebradas.

Segundo o enviado especial da BBC Mundo a Tegucigalpa, Arturo Wallace, a repressão à manifestação teria começado após a polícia ter dado início a uma operação para reforçar a segurança nos arredores do palácio.

Cerca de 2 mil pessoas estariam participando dos protestos.

Wallace ainda afirma que os hondurenhos têm poucas informações sobre os protestos em outras regiões. As poucas notícias circulam no boca a boca.

“Os meios de comunicação transmitem apenas a versão oficial e os canais de notícias internacionais, como a CNN e a Telesur, estão fora do ar”, afirma Wallace.