Presidente iraniano pede investigação sobre morte de jovem

Neda Aghda-Soltan (arquivo)
Image caption Neda Aghda-Soltan foi morta quando passava perto de um protesto, segundo noivo

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta segunda-feira que a morte jovem iraniana Neda Aghda-Soltan foi "suspeita" e pediu a instauração de uma investigação judicial.

Ahmadinejad enviou uma carta ao chefe do Judiciário, o aiatolá Mahmoud Hashemi-Shahroudi, pedindo uma investigação para ajudar a identificar os "elementos" responsáveis pela morte de Neda, segundo a agência oficial de notícias IRNA.

O presidente iraniano afirmou que existem muitas reportagens falsas na imprensa estrangeira a respeito da morte de Neda e pediu que os responsáveis pela morte dela sejam levados à Justiça.

De acordo com a agência de notícias Reuters, o presidente afirmou na carta que "peço a você que ordene que o sistema judiciário siga o caso de assassinato... e identifique os elementos responsáveis pelo caso e informe o povo sobre o resultado".

Neda, que tinha 26 anos, foi morta quando caminhava nas proximidades de um dos protestos contra a eleição presidencial que resultou na reeleição de Ahmadinejad.

O vídeo mostrando seus últimos momentos e as tentativas de socorro foi postado na internet no dia 20 de junho, e horas depois, a jovem se transformou em um símbolo do movimento oposicionista iraniano.

Aula de música

De acordo com o noivo de Neda, ela não participava do protesto no último dia 20 e estava a caminho de uma aula de música.

Um dos responsáveis pela divulgação do vídeo e que aparece nas imagens tentando socorrê-la – o médico Arash Hejazi, que deixou o Irã – afirma que a jovem foi morta por um integrante da milícia islâmica Bassidj.

O Irã vive uma onda de protestos desde que o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi declarado o vencedor das eleições realizadas no último dia 12. Pelo menos 17 pessoas teriam morrido em protestos nas ruas.

O candidato presidencial derrotado, Mir Hossein Mousavi, insiste que houve fraude a favor de Ahmadinejad, e exige a convocação de uma nova eleição.