Israel aprova construção de 50 casas em assentamento

Adam
Image caption Cerca de 3,5 mil pessoas já moram no assentamento de Adam

O governo de Israel aprovou a construção de 50 novas moradias em um assentamento nos territórios ocupados da Cisjordânia.

Representantes israelenses afirmaram que os colonos vão ser transferidos de um assentamento não-autorizado e que a iniciativa é apenas a primeira parte de um plano de expansão.

Israel pretende retirar cerca de 200 pessoas do assentamento de Migron, considerado ilegal pelas autoridades israelenses por ter sido construído em terras palestinas particulares. O grupo deve ser reassentado em Adam, ao norte de Jerusalém, que já abriga cerca de 3,5 mil judeus.

Os planos foram revelados em um documento enviado pelo Ministério da Defesa ao Supremo Tribunal de Israel como parte das atas de um processo iniciado pelo grupo israelenses Paz Agora, que é contra os assentamentos.

O documento afirma que mais 1.450 moradias devem ser construídas em Adam, mas apenas 50 delas já foram aprovadas. As demais moradias, segundo os papeis, ainda precisam ser aprovadas separadamente pelo Ministério da Defesa.

Contramão

A medida vai na contramão das últimas exigências do mais forte aliado de Israel, os Estados Unidos. Os americanos recentemente fizeram um apelo pela suspensão de todas as atividades de assentamento em terras palestinas ocupadas.

O anúncio foi feito horas antes de o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, embarcar para os Estados Unidos. Barak vai se reunir com o enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e Mitchell deveriam ter se encontrado em Paris na última quinta-feira, mas a reunião acabou sendo cancelada.

Analistas dizem que a resistência de Netanyahu em acatar os pedidos do governo americano deve deixá-lo em rota de colisão com os Estados Unidos.

Israel afirma que os assentamentos devem ter direito a "crescer naturalmente", embora dados estatísticos recentes indiquem que grande parte das novas moradias vem sendo comprada por recém-chegados de Israel ou mesmo de outros países.

A Autoridade Palestina afirma que os assentamentos – considerados ilegais pelas leis internacionais – são uma dos maiores obstáculos para a paz e prometeu se afastar das negociações enquanto as construções não forem suspensas.

Reações

Um porta-voz do grupo Paz Agora, Yariv Oppenheimer, afirmou que os planos para a transferência do assentamento ilegal passam uma mensagem equivocada.

"Os que construíram campos ilegais e ameaçaram usar força se fossem despejados vão ser beneficiados, porque o resultado vai ser que o assentamento original deles vai ser aumentado em 30 vezes", afirmou Oppenheimer.

O advogado Michael Sfard, que defende proprietários de terras palestinos, afirmou à BBC que a decisão de Israel é "ultrajante".

"É assim que o governo trata da questão: dando casas novas a foras-da-lei", disse Sfard.

Ele descreveu a decisão como um "ato de pânico", às vésperas de um julgamento sobre o futuro de Migron.

As autoridades de Israel desmontaram as construções de Migron várias vezes, mas os colonos sempre voltam e reconstroem o local.

Cerca de 500 mil israelenses moram na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, territórios ocupados por Israel desde o fim da guerra de 1967.