Crise em Honduras faz UE adiar acordo com América Central

Sede da Comissão Europeia em Bruxelas
Image caption A Comissao optou por adiar a nova rodada de negociações

A União Europeia (UE) decidiu nesta quarta-feira adiar as negociações para um acordo de cooperação com os países da América Central, que estabeleceria uma relação de comércio livre entre ambas as regiões, por causa da crise política em Honduras.

“Depois de consultar os governos da região e entrar em acordo com os países-membros da UE, a Comissão Europeia (braço executivo da organização) decidiu adiar a oitava rodada de negociações”, informou o órgão em um comunicado.

A Comissão não explicou os motivos que levaram ao adiamento das negociações, mas fontes diplomáticas negam que seja uma represália ao golpe.

De acordo com as fontes, a intenção é esperar a evolução da situação em Honduras para saber como as negociações poderão prosseguir e quem serão os representantes do país.

O comunicado destaca ainda que o processo “deve ser retomado assim que possível”, entretanto não traz explicações sobre as condições necessárias para que isso ocorra.

Legitimidade

Ambas as regiões confiavam que essa nova rodada, agendada para a próxima semana em Bruxelas, seria a última necessária para a assinatura do acordo ainda neste ano.

A decisão sobre o adiamento foi tomada depois de três encontros. O primeiro foi realizado na segunda-feira e contou com a presença da comissária europeia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, e os embaixadores de Costa Rica, Nicarágua, El Salvador e Guatemala na UE.

Além desse encontro, a decisão ainda foi discutida em uma reunião entre a comissária e o embaixador de Honduras na UE, para avaliar a possibilidade de dar continuidade ao processo.

Durante a reunião de segunda-feira, o representante diplomático guatemalteco, Antonio Arenales, deixou claro que seu país não participaria “de nenhuma negociação sem a participação do legítimo governo hondurenho”, referindo-se ao do presidente Manuel Zelaya.

Já o embaixador de Honduras, Ramón Custodio Espinoza, defendeu que a decisão sobre o futuro das negociações deveria ser tomada por seus sócios na América Central e pelas autoridades europeias.

No último encontro, realizado nesta quarta-feira, representantes dos 27 países europeus optaram pelo adiamento em uma reunião do Comitê para a América Latina do Conselho Europeu (Colat).

Represálias

A reunião da Colat terminou sem o apoio da maioria dos governos da UE ao pedido do governo da Espanha para que todos seguissem o exemplo espanhol e retirassem seus embaixadores de Honduras.

Além da Espanha, apenas a França chamou de volta seu embaixador.

Os outros membros do Colat avaliaram que seus representantes diplomáticos devem permanecer em Tegucigalpa, capital de Honduras, para monitorar a evolução dos fatos.

Até agora, a UE tem descartado adotar sanções contra o novo governo imposto pelos militares hondurenhos, mas uma nova reunião de avaliação será realizada na sexta-feira em Bruxelas.

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