América Latina

Honduras: avião de Zelaya é impedido de pousar em Tegucigalpa

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O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, desembarcou em El Salvador na noite de domingo, depois de uma dramática tentativa de voltar ao país, uma semana depois de ter sido tirado do poder por militares.

O avião que levava Zelaya foi impedido de aterrissar no aeroporto Toncontín, na capital hondurenha, Tegucigalpa, onde a pista de pouso foi bloqueada por soldados e veículos militares.

Um jovem de 19 anos morreu quando soldados dispersaram uma multidão de simpatizantes de Zelaya reunidos no local.

Em El Salvador, Zelaya se encontrou com o presidente Mauricio Funes e dos líderes Cristina Kirchner (Argentina), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai), além de representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Em uma entrevista coletiva, ele fez um apelo para que o Exército hondurenho pare com o que chamou de "repressão" a seus compatriotas.

Protestos

Zelaya estava em Washington e esperava poder desembarcar em Honduras, apesar dos alertas do governo interino para que não fizesse a tentativa.

Por telefone, dentro do avião, o presidente deposto apediu ao chefe do Estado Maior das Forças Armadas que reabrisse o aeroporto, dizendo: "É o presidente constitucional que está viajando neste avião".

Horas antes da aproximação da aeronave, o Exército havia disparado contra manifestantes reunidos no aeroporto, matando um estudante e deixando outros feridos.

"Assassinos! Assassinos!", gritavam os manifestantes pró-Zelaya aos policiais e militares, ignorando os pedidos dos próprios organizadores do protesto de não usar termos ou gestos provocativos contra a polícia e o Exército.

Guerra civil

Os eventos do domingo deram cores vívidas às palavras de diferentes facções da vida política e social de Honduras.

No sábado, o cardeal Oscar Rodríguez Maradiaga, o conservador arcebispo de Tegucigalpa, nome cotado para ter sido o sucessor do papa João Paulo 2º, advertiu, em cadeia nacional de TV, que Zelaya deveria refletir bem sobre a intenção de retornar a Honduras, porque o gesto poderia ocasionar “um banho de sangue”.

No mesmo dia, em entrevista à BBC, o ministro da Cultura do governo deposto, Rodolfo Pastor, que se encontra foragido em uma região de Honduras que não pode ser revelada por questões de segurança, advertiu que o país poderia estar caminhando para uma guerra civil.

O país parece cada vez mais polarizado. Manifestantes pró-governo interino denunciam a suposta ingerência do venezuelano Hugo Chávez nos assuntos do país e acusam Zelaya de ter agido sob influência do presidente da Venezuela ao ter supostamente tentado mudar a Constituição para concorrer a um segundo mandato presidencial.

A Constituição do país só permite que os líderes da nação exerçam um único mandato de quatro anos.

A facção pró-Zelaya diz que o governo provisório visa principalmente atender às elites do país.

Os muros da cidade estão estampados com pixações que expõem as profundas divergências da sociedade hondurenha. Diante do impasse sobre o destino de Manuel Zelaya, um grafitti sugere: “Deixe que Chávez o adote!”

No outro extremo, vê-se dizeres nos quais o presidente interino hondurenho, Roberto Micheletti é chamado de “Pinocheletti” e muros em que o cardeal Rodríguez Maradiaga é chamado de “filho de satanás”.

Há alguns sinais escassos de possíveis avanços. O governo provisório hondurenho comunicou à Organização dos Estados Americanos (OEA), no domingo, sua intenção de negociar, mas segue irredutível em impedir o regresso de Manuel Zelaya, a quem ameaça com prisão no momento em que ele pisar no território do país.

No cair da noite, o governo interino, como forma de conter a crescente tensão, antecipou o toque de recolher em vigor no país, das 22h para 18h30.

Tegucigalpa se tornou, então, uma cidade fantasma mais cedo do que o habitual.

Os militares - com o apoio do Congresso e do Judiciário de Honduras - retiraram Zelaya da presidência no dia 28 de junho, um ato que foi condenado pela comunidade internacional e que resultou na suspensão de Honduras da OEA.

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