Presidente da Itália pede que imprensa poupe Berlusconi durante G8

Taro Aso e Silvio Berlusconi
Image caption Governo teme que escândalos voltem à tona durante G8

Ao liderar a cúpula do G8, a partir desta quarta-feira na cidade de Áquila, uma das maiores preocupações do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi será desviar a atenção de seus problemas pessoais e dos escândalos que têm ocupado os jornais do país nas últimas semanas.

A publicação de fotografias que mostram mulheres fazendo "topless" na casa de verão de Berlusconi na Sardenha e o caso das garotas de programa pagas para participar de festas promovidas por ele em suas mansões têm provocado polêmica na Itália e mal-estar entre o governo italiano e a imprensa internacional.

Para evitar que a imagem da Itália saia prejudicada pelos escândalos durante a cúpula do G8, o presidente italiano, Giorgio Napolitano, fez um apelo aos jornais e à oposição na semana passada.

"Devido à delicadeza deste grande encontro internacional, seria justo uma trégua", pediu.

Notificação judiciária

O apelo era endereçado também ao Poder Judiciário. O governo teme que Berlusconi receba, ainda durante o encontro do G8, uma comunicação da procuradoria da cidade de Bari, que investiga os supostos casos de corrupção, indução à prostituição e tráfico de drogas, em que estaria envolvido um conhecido do premiê, o empresário Giampaolo Tarantini.

Tarantini está sendo acusado de "indução à prostituição" por pagar mulheres para ir a festas promovidas por Silvio Berlusconi em suas casas em Roma e na Sardenha.

Uma delas, Patrizia D'Addario, que chegou a se candidatar pelo partido de Berlusconi em Bari, disse a investigadores e jornalistas que, uma noite, ficou para dormir na casa do premiê. Segundo ela, o local "parecia um harém". D'Addario teria feito fotos e gravações que entregou à polícia.

Berlusconi, o homem mais rico da Itália, acusou a magistratura de subversiva, e definiu o escândalo como "lixo" da imprensa italiana e internacional. Ele também disse se tratar de um complô de seus inimigos, entre eles o magnata da mídia Rupert Murdoch.

Novas fotos

Uma das maiores preocupações do primeiro-ministro italiano e de seus colaboradores é que durante a cúpula do G8 possa se repetir o que ocorreu em Nápoles em 1994, durante o primeiro governo de Berlusconi, quando, numa conferência internacional sobre crime organizado, ele foi informado, através dos jornais, de que estava sendo investigado por corrupção. Seu governo acabou se dissolvendo dois meses depois.

Recentemente, a Justiça italiana proibiu a publicação de fotos comprometedoras feitas na casa de Berlusconi na Sardenha. Algumas das imagens, contudo, foram publicadas por jornais estrangeiros.

Segundo a imprensa internacional, novas fotos estariam para ser publicadas durante a cúpula do G8.

De acordo com o analista político Raffaele De Mucci, os problemas pessoais de Berlusconi devem disputar a atenção durante o encontro dos líderes de 29 países que participarão da cúpula em Áquila, tanto quanto os temas na pauta, como a crise econômica mundial, problemas ambientais, segurança alimentar e ajuda aos países mais pobres.

"É fatal que a presença de Berlusconi atraia interesses extra-políticos. A causa disso é o comportamento imprevisível e às vezes histriônico do líder", disse De Mucci à BBC Brasil.

Segundo analistas, os recentes escândalos provocaram uma perda de consenso popular em torno de Berlusconi, cuja popularidade tinha aumentado logo após o terremoto em Áquila, que matou cerca 300 pessoas e deixou aproximadamente 50 mil desabrigados.

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