Ricos estão se dando conta da importância dos emergentes, diz Lula

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Image caption Lula participou como convidado do encontro do G8

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao final da cúpula do G8 em Áquila, na Itália, que os países ricos estão se dando conta de que não é mais possível discutir os grandes problemas do mundo sem levar em conta a posição de países emergentes, como Brasil, China ou Índia.

Lula participou como convidado da cúpula do G8, o grupo das nações mais industrializadas do planeta, que terminou nesta sexta-feira.

O Brasil faz parte do grupo chamado G5 de países emergentes, ao lado de China, Índia, África do Sul e México, e que vem sendo convidado para as cúpulas anuais do G8 desde 2005.

Segundo ele, essa importância ficou clara em declarações de líderes de países desenvolvidos, como o presidente da França, Nicolas Sarkozy, ou do próprio anfitrião da cúpula de Áquila, o premiê italiano Silvio Berlusconi, defendendo a ampliação do G8 para a incorporação dos países emergentes.

Mas Lula disse preferir apostar no fortalecimento do G20, grupo das 20 principais economias e que foi o fórum escolhido para as principais discussões sobre a crise econômica internacional.

O G20 deve realizar em setembro, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, uma nova reunião de cúpula, seis meses após a cúpula de Londres, em abril, que decidiu promover uma série de reformas no sistema financeiro internacional como medidas de combate à crise.

“Os grupos podem contuinuar se reunindo. Mas é preciso fortalecer o G20, porque em setembro vamos ter uma reunião muito importante, para verificar se as coisas estão de acordo com o que foi decidido em Londres”, disse Lula.

Grupo amplo

Segundo o presidente, um grupo mais amplo como o G20 tem mais chances de sucesso em seus objetivos. “Quanto mais países participarem, mais a gente tem chance de evitar os erros nas nossas decisões”, disse o presidente.

Apesar disso, Lula fez um balanço positivo das discussões nos três dias da cúpula do G8 em Áquila, com a participação do Brasil em discussões de temas importantes como o combate à fome, a ajuda a países pobres, questões econômicas e o combate ao aquecimento global.

As discussões sobre clima durante o G8, que tinham como objetivo um acordo preparatório para a conferência da ONU em dezembro que tentará fechar o acordo pós-Kyoto de combate ao aquecimento, foi um dos principais exemplos da influência que os países em desenvolvimento tiveram sobre os documentos finais da cúpula.

Na quarta-feira, o G8 havia proposto uma meta de redução de 80% das emissões de gases do efeito estufa dos países ricos em 2050, desde que o mundo como um todo fizesse uma redução de 50%.

Mas a discordância dos países emergentes, que exigem uma meta intermediária de 40% de redução das emissões dos países ricos até 2020, impediu um acordo amplo sobre o tema.

O documento final da cúpula acabou citando apenas o único ponto em comum entre os dois grupos, que é a necessidade de evitar um aumento das temperaturas médias do planeta superiores a 2 graus em relação à era pré-industrial, ponto considerado crítico após o qual as consequencias do aquecimento seriam imprevisíveis, de acordo com a ONU.

Economia

Lula disse ainda ter percebido entre os líderes presentes na cúpula de Áquila um otimismo sobre a recuperação da economia mundial.

“Se analisarmos pelo discurso que todos fizeram, acho que o pior já passou na maioria dos países”, disse.

Segundo ele, “o otimismo dos países é muito importante” num momento em que muitas nações desenvolvidas vem sofrendo quedas acentuadas em suas economias.

Ainda assim, ele advertiu que mesmo com a recuperação da economia mundial, a situação não voltará ao que era no período pré-crise.

“Tivemos aqui o discurso sincero do Obama, que diz que os americanos vão ter que se acostumar com o fato de que não vão mais poder ter o padrão de consumo que tinham antes. É preciso que eles maneirem”, disse.

Em uma declaração divulgada na quarta-feira, os líderes do G8 disseram ver sinais de estabilização da economia global nas últimas semanas, mas advertiram de que ainda é cedo para abandonar as políticas de estímulo à recuperação econômica.

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