Negociações sobre crise em Honduras terminam sem acordo

Manuel Zelaya e Oscar Arias na Costa Rica
Image caption Manuel Zelaya e Oscar Arias na Costa Rica

As negociações que buscavam resolver a crise política em Honduras terminaram sem acordo, depois de dois dias de conversas na Costa Rica.

Segundo mediadores, tanto representantes do presidente deposto, Manuel Zelaya, como do presidente interino, Roberto Micheletti, disseram aceitar retomar as negociações em breve, mas alguns líderes latinoamericanos acreditam que há poucas chances de progresso.

Zelaya e Micheletti se recusaram a ter um encontro frente a frente, mas se reuniram separadamente com o presidente costa-riquenho, Oscar Arias. Ambos os líderes deixaram o país na quinta-feira, mas delegações dos dois lados continuaram as discussões.

Enquanto Zelaya voou para a República Dominicana em busca de mais apoio, o presidente interino voltou para a capital hondurenha, Tegucigalpa.

"Nós concordamos com a volta dele (Zelaya), mas para ser mandado diretamente para os tribunais", disse Micheletti.

Pouco após seu retorno ao país, Roberto Micheletti aceitou o pedido de renúncia do ministro do Exterior Enrique Ortez por ter usado linguagem ofensiva para se referir ao presidente americano, Barack Obama.

Ortez teria descrito Obama como "negrito", o que Micheletti considerou "escandaloso".

Medidas tímidas

Na sexta-feira, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, - um dos principais aliados do presidente deposto, Manuel Zelaya - disse que as negociações na Costa Rica estavam "mortas" e que era "horrível ver o usurpador Micheletti ser tratado com deferência" por Oscar Arias.

Chávez também criticou o que ele chamou de "medidas tímidas" dos Estados Unidos em resposta à crise e exigiu saber por que os americanos não retiraram o embaixador de Honduras ou impuseram sanções.

Leia mais sobre as declarações de Hugo Chávez

Segundo analistas, o que vai acontecer em Honduras depende muito do que Washington fizer a partir de agora. Os Estados Unidos já cortaram a ajuda oferecida ao governo hondurenho, mas ainda não teriam feito uso de todo seu poder econômico e diplomático.

A crise política em Honduras começou depois que o presidente Zelaya tentou realizar um referendo sobre mudanças na constituição. A oposição diz que isso levaria à remoção do limite de um mandato presidencial, permitindo que Zelaya abrisse o caminho para a própria reeleição. Manuel Zelaya foi obrigado a deixar o país sob a mira de uma arma no dia 28 de junho.

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