Presidente do Equador nega relações com guerrilha colombiana

O presidente do Equador, Rafael Correa. Foto: AFP/arquivo
Image caption Correa disse que acusações são campanha para desestabilizar governo

O presidente do Equador, Rafael Correa, negou, neste sábado, que sua campanha à Presidência tenha recebido ajuda financeira das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), grupo guerrilheiro que atua há mais de quatro décadas no país sul-americano.

Correa ainda pediu que seja investigada qualquer eventual ligação de seu partido com o grupo guerrilheiro e disse que as acusações – classificadas por ele como “bobagens” – fazem parte de uma “campanha contra os governos progressistas da região”.

As declarações do líder equatoriano são uma resposta a um vídeo divulgado na última sexta-feira que mostraria um dos principais líderes militares das Farc, Jorge Briceño Suárez, conhecido como “Mono Jojoy”, dizendo a outros rebeldes que a guerrilha teria ajudado a financiar a campanha eleitoral de Correa.

No vídeo, supostamente gravado em 2008 e transmitido pela agência de notícias AP e por canais de TV colombianos, Mono Jojoy aparece falando sobre “ajuda em dólares para a campanha de Correa e conversas com seus assessores”.

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Investigação

Em um pronunciamento transmitido este sábado pela televisão equatoriana, Correa foi irônico a respeito das acusações e se apresentou dizendo que “aqui fala o terrorista internacional financiado pelas Farc”.

Embora o governo equatoriano já tivesse negado, ainda na noite de sexta-feira, qualquer envolvimento com a guerrilha colombiana, Correa foi enfático e pediu que as acusações sejam investigadas.

“Estou pedindo que investiguem se o governo equatoriano ou a Alianza Pais (partido de Correa) recebeu, alguma vez, vinte centavos de qualquer grupo estrangeiro, não apenas das Farc”, afirmou.

“Lembrem-se que, durante a campanha eleitoral, afirmaram que (o presidente venezuelano Hugo) Chávez estava nos financiado, depois os traficantes de drogas, e agora as Farc”, disse.

Campanha

O presidente equatoriano ainda acusou grupos dos Estados Unidos e da Colômbia de estarem por trás de uma “campanha sistemática” contra os governos de esquerda na América Latina.

“Há uma campanha sistemática para desestabilizar os governos progressistas deste continente. O (golpe de Estado em) Honduras não é algo isolado, há grupos poderosos em alguns países, como Colômbia e Estados Unidos, que estão por trás desta campanha”, afirmou.

“Eles não podem ganhar de nós nas urnas, querem ganhar com mentiras”.

Relações tensas

De acordo com analistas ouvidos pela BBC Mundo, a divulgação do vídeo que aponta supostas ligações entre a campanha de Correa e as Farc deve deixar ainda mais tensas as relações entre Colômbia e Equador.

As relações diplomáticas entre os dois países estão em crise desde março de 2008, quando o exército colombiano fez uma incursão no território do Equador para atacar um acampamento das Farc.

“Sem dúvida, esta foi uma das semanas mais graves para as relações entre Colômbia e Equador desde o rompimento diplomático no início de março de 2008”, afirma Socorro Ramírez, analista da Universidade Nacional da Colômbia.

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