Israel rejeita pedido dos EUA para suspensão de construção em Jerusalém

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, durante pronunciamento neste domingo (AP, 19/7)
Image caption Netanyahu afirmou que soberania sobre Jerusalém é inquestionável

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, rejeitou, neste domingo, um pedido do governo dos Estados Unidos para a suspensão de um projeto de construção de um conjunto habitacional na parte leste de Jerusalém.

O projeto envolve a construção de vinte apartamentos na região leste da cidade, habitada majoritariamente por árabes e que foi anexada por Israel em 1967.

De acordo com a imprensa israelense, oficiais do governo dos Estados Unidos teriam pedido ao embaixador de Israel nos EUA, Michael Oren, para que o projeto fosse suspenso.

Durante um encontro com os ministros de seu gabinete neste domingo, no entanto, o premiê israelense rejeitou o pedido e afirmou que a soberania de Israel sobre Jerusalém não está em discussão.

“Não podemos aceitar a ideia de que os judeus não têm o direito de viver e comprar (propriedades) em qualquer local de Jerusalém”, disse Netanyahu.

“Jerusalém unificada é a capital do povo judeu e do Estado de Israel. Nossa soberania sobre ela é inquestionável”.

Em 1967, Israel ocupou e anexou ao seu território a parte leste de Jerusalém e declarou a cidade como sua “capital eterna”.

A anexação, no entanto, não foi reconhecida pela comunidade internacional e a parte leste da cidade é considerada um território ocupado.

Os palestinos pretendem estabelecer no leste de Jerusalém a capital de um Estado palestino independente.

Eles alegam que os assentamentos israelenses e os projetos de demolição no local fazem parte de uma estratégia para forçá-los a deixar a região.

Paz

O projeto em questão envolve a construção de um bloco de vinte apartamentos no distrito de Sheikh Jarrah, a leste de Jerusalém.

Segundo autoridades israelenses, o Departamento de Estado americano teria solicitado a suspensão da construção. A informação, no entanto, não foi confirmada pelas autoridades dos Estados Unidos.

O governo de Israel, no entanto, tem sido pressionado pela administração de Barack Obama para interromper a construção de assentamentos nas regiões onde os palestinos pretendem estabelecer seu futuro Estado.

Os palestinos afirmam que qualquer negociação de paz com Israel não pode progredir até que a construção de assentamentos seja interrompida.

Comentando a decisão anunciada por Netanyahu neste domingo, o negociador palestino Saeb Erekat afirmou que ela compromete os esforços para a retomada das negociações de paz.

Cerca de 268 mil palestinos vivem no leste de Jerusalém, assim como 200 mil judeus israelenses.

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