Julgamento de líder de oposição em Mianmar entra em fase final

Polícia cerca prisão de Insein, em Yangun
Image caption A polícia montou um esquema de segurança e cercou local do julgamento de Suu Kyi

O julgamento da líder da oposição de Mianmar, Aung San Suu Kyi, entrou em sua fase final nesta sexta-feira em Yangun, com os advogados e promotores apresentando suas declarações finais.

Suu Kyi foi levada à prisão no dia 14 maio acusada de ter violado os termos de sua prisão domiciliar depois que um americano conseguiu ultrapassar os guardas e atravessar a nado o lago perto de sua casa até alcançar o local.

Se for considerada culpada, ela pode ser condenada a cinco anos de prisão.

O processo vem sendo criticado como sendo uma forma encontrada pelos militares para manter a líder da oposição presa até depois das eleições programadas para o ano que vem.

O partido de Suu Kyi, Liga Nacional para Democracia, venceu a última eleição no país em 1988, mas nunca conseguiu assumir o poder.

Suu Kyi, de 64 anos, passou cerca de 14 dos últimos 20 anos presa, a maior parte deste período em prisão domiciliar em Yangun.

Segurança

O governo preparou uma grande operação de segurança na prisão de Insein, onde está Suu Kyi e onde ocorre o julgamento, em Yangun, com as tropas de choque cercando o local.

Inicialmente esperava-se que o julgamento durasse alguns dias , mas os procedimentos já duram mais de dois meses.

Em sua declaração final a promotoria afirmou novamente que Aung San Suu Kyi deve ser responsabilizada pelo fato de o americano John Yettaw ter chegado até sua casa, onde ela cumpria pena de prisão domiciliar.

Os advogados de Suu Kyi alegaram que a lei pela qual ela está sendo acusada é parte de uma constituição que já foi abolida há 25 anos.

E, de qualquer forma, segundo estes advogados, ela não pode ser responsabilizada pelo incidente, pois estava cumprindo a prisão domiciliar sob forte segurança.

A equipe de advogados de Suu Kyi recebeu permissão para se reunir com a líder de oposição na quinta-feira para discutir a estratégia de defesa.

"A lei está do nosso lado, mas não sabemos se os juízes estão", afirmou o principal advogado de defesa, Kyi Wi.

Alguns diplomatas europeus teriam recebido permissão para assistir ao julgamento, mas nenhum jornalista foi permitido na corte.

A corte deve voltar a se reunir em Yangun na segunda-feira, pois ainda não foi encerrada a exposição dos argumentos finais dos dois lados durante a sessão desta sexta-feira.

Image caption Suu Kyi nega todas as acusações

Ainda não se sabe quando será dado o veredito. Apenas duas testemunhas da defesa foram permitidas. Pelo lado da acusação foram 23 testemunhas e, destas, 14 depuseram.

Reconhecimento

O correspondente da BBC para o sul da Ásia Jonathan Head, afirma que o fato de que foram permitidas algumas testemunhas de defesa e observadores estrangeiros mostra que o governo teria reconhecido a revolta causada no mundo todo por ter levado Suu Kyi a um julgamento sob acusações tão estranhas.

Mas, segundo o correspondente, tudo indica que ela será considerada culpada. Os generais que governam Mianmar temem sua popularidade e não querem que ela tenha nenhum papel de destaque nas eleições de 2010.

Quando o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, visitou Mianmar no início do mês, ele não obteve permissão para se encontrar com Suu Kyi.

Nesta semana, durante a cúpula de segurança da Ásia, na Tailândia, a secretária de Estado americana Hillary Clinton, afirmou que é possível melhorar as relações bilaterais com o país, mas destacou que a libertação de Suu Kyi é um fator primordial.

"Fomos claros a respeito das medidas essenciais: respeito aos direitos das pessoas, a libertação de Aung San Suu Kyi e a realização de uma eleição aberta e confiável no próximo ano", afirmou.

A imprensa estatal de Mianmar rejeitou os comentários, afirmando que constituem "interferência".

"Exigir a libertação de Daw Suu Kyi demonstra indiferença à lei", afirmou o jornal The New Light of Mianmar. "Se for considerada culpada, a Justiça determinará uma pena razoável, e vai libertá-la se ela não for considerada culpada", acrescentou.

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