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Exército sitia militantes islâmicos em cidade da Nigéria

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Forças de segurança da Nigéria sitiaram nesta terça-feira um grupo de militantes islâmicos extremistas que atacaram alvos do governo da Nigéria durante o fim de semana. Os ataques deixaram ao menos cem mortos, pelo menos 50 deles militantes.

O grupo, que quer a implantação de um regime islâmico no país e se diz integrante do Talebã, foi levado por forças de segurança nigerianas a se refugiar na cidade de Maiduguri, onde organizou barricadas em torno da casa de seu líder, Mohamed Yusufi.

Um repórter da BBC foi orientado a deixar o local, porque os homens, armados, estariam atirando em qualquer um que se aproxime.

As autoridades reforçaram a segurança nos quatro Estados do norte do país atingidos pela violência no fim de semana - Bauchi, Yobe, Kano e Borno.

O presidente Umaru Yar'adua pediu ao Exército e à polícia que façam "tudo o que for necessário" para conter a violência no país.

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Um porta-voz do governo disse à BBC que pelo menos 160 prisões foram realizadas em Bauchi, onde a violência começou.

Em áreas afetadas de Yobe, Borno e no Estado de Plateau, s oldados bloquearam estradas e o Exército impôs um toque de recolhe. Além disso, os militares controlam o acesso às principais áreas urbanas.

Conflito

Nos últimos dois dias cerca de cem pessoas foram mortas no norte do país. Os militantes lançaram ataques com granadas e armas contra delegacias de polícia e prédios do governo nos quatro Estados de maioria muçulmana.

Segundo a correspondente da BBC Caroline Duffield, em Maiduguri é a cidade mais afetada pela violência. Ela conta que corpos de vítimas foram empilhados do lado de fora das estações de polícia e nas ruas da cidade.

Testemunhas relataram à BBC que, em Potiskum, no Estado de Yobe, o tiroteio durou horas e uma delegacia de polícia foi incendiada.

Estados vizinhos aos quatro Estados atingidos já mobilizaram suas forças de segurança para evitar que os ataques se espalhem.

Escolas ocidentais

Alguns dos militantes seguem o líder religioso, Mohammed Yusuf, que se opõe à adoção de linhas pró-ocidentais de educação nas escolas - orientações que, para o líder, iriam contra os ensinamentos islâmicos.

Seguidores de Yusuf em Bauchi são conhecidos como Boko Haram, que significa "Educação é proibida". Eles atacaram uma delegacia de polícia no domingo depois que seus líderes foram presos.

Segundo correspondentes, este seria um grupo religioso menor que tem levantado suspeitas devido ao recrutamento de jovens e à crença de que a educação, cultura e ciência ocidentais são pecaminosas.

A lei islâmica, a Sharia, foi imposta no norte do país, mas não há histórico de violência ligada à Al-Qaeda na Nigéria.

A população nigeriana, de cerca de 150 milhões de pessoas, é dividida quase que igualmente entre muçulmanos e cristãos e os dois grupos convivem de forma pacífica, apesar dos episódios ocasionais de violência.

Duffield afirmou que a tensão é comum no norte da Nigéria devido à pobreza e à competição pelos recursos escassos, além das diferenças culturais, étnicas e religiosas.

Mas, os últimos episódios de violência não ocorreram entre comunidades, envolveram jovens de grupos religiosos, que se armaram e atacaram a polícia, disse a correspondente.

Grupos religiosos menores da Nigéria também já alegaram envolvimento com o Talebã, indivíduos também foram acusados de ligação com a Al-Qaeda, disse Duffield.

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