Nigéria liberta mais de cem reféns de grupo islâmico

Corpos (ao fundo) e pertences de supostos extremistas islâmicos em rua de Maiduguri nesta quarta-feira (AFP)
Image caption Confrontos entre militantes e tropas matou mais de 180

A polícia da Nigéria libertou, nesta quarta-feira, mais de cem mulheres e crianças que estavam sendo mantidas como reféns por radicais islâmicos em uma casa no nordeste do país.

As vítimas, que afirmaram à BBC que ficaram presas seis dias se alimentando apenas de tâmaras, foram resgatadas na cidade de Maiduguri, capital do Estado de Borno, onde os conflitos entre tropas nigerianas e radicais do grupo islâmico Boko Haram continuam.

A maioria dos libertados é formada de mulheres jovens, muitas com crianças e bebês recém-nascidos.

Algumas vítimas afirmaram à BBC que seus maridos são membros do Boko Haram e, de acordo com a repórter da BBC Caroline Duffield, elas seriam originárias do Estado de Bauchi.

Há relatos de pessoas sendo mantidas como reféns pelos radicais em outros Estados do norte da Nigéria.

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Violência

Os episódios de violência na região norte da Nigéria já duram quatro dias. O número total de mortos é incerto, mas há notícias de que eles passam de 180.

Os conflitos fizeram com que milhares de pessoas deixassem suas casas no Estado de Borno.

O grupo Boko Haram ("Educação é proibida", em tradução livre), que é liderado por Mohammed Yusuf e baseado na cidade de Maiduguri, é acusado de ataques a postos de polícia e prédios governamentais no norte do país.

Os militantes são contra o sistema de educação ocidental e acreditam que o governo nigeriano foi corrompido pelas ideias do Ocidente. Eles desejam impor a lei islâmica no país.

Na última terça-feira, forças de segurança nigerianas foram deslocadas para a cidade e atacaram uma mesquita e a casa a que pertence ao líder dos radicais.

Os militantes responderam aos ataques com tiros e os confrontos continuaram pela noite de terça-feira e nesta quarta-feira.

O oficial que lidera as operações do Exército nigeriano, coronel Bem Ahanotu, afirmou à BBC que os militantes estão bem armados e continuam trocando tiros.

Os radicais teriam conseguido avançar algumas posições nesta quarta-feira.

Os habitantes da cidade foram aconselhados a ficarem em suas casas, enquanto os combates continuam.

Os militantes teriam colocado fogo em veículos e estariam usando civis como escudos humanos.

Segundo Ahanotu, pelo menos 250 homens fazem a guarda da casa de Mohammed Yusuf, que também funciona como centro de operações da Boko Haram.

Há também relatos de novos episódios de violência no Estado vizinho de Yobe, onde pelo menos trinta pessoas teriam sido mortas nesta quarta-feira.

Estrangeiros

Segundo as autoridades, outros mil prováveis seguidores do grupo também estão na região.

O coronel Ahanotu afirmou à BBC que os documentos e itens pessoais encontrados nos corpos de homens que foram mortos durante os confrontos indicam que muitos deles são estrangeiros, vindos de países como Chade e Níger.

Pouco antes de partir para uma visita oficial ao Brasil, na noite de terça-feira, o presidente da Nigéria, Umaru Yar'Adua, ordenou que as forças de segurança do país tomem todas as medidas necessárias para conter os radicais.

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