Cronologia da crise

Flash Player >>

PÂNICO FINANCEIRO

9 AGOSTO 2007: Congelamento do Mercado de Crédito

O banco francês PNB Paribas suspende o resgate de três fundos hedge por falta de liquidez. Os bancos centrais intervêm.

Os mercados de crédito despencam depois do anúncio do PNB Paribas de que três dos seus fundos hedge – fundos de investimento de alto risco - estariam congelados devido à "completa evaporação da liquidez" do mercado, como resultado da exposição ao mercado de subprime dos EUA.

Logo depois, o Banco Central Europeu injeta 170 bilhões de euros no setor bancário.

Anteriormente, em fevereiro, o banco HSBC já havia revelado perdas enormes no seu braço americano Household Finance, especializado em hipotecas, devido às perdas no subprime.

14 SETEMBRO 2007: Começa a queda no sistema bancário dos EUA

Os problemas no mercado de crédito fazem o banco de empréstimo subprime Northern Rock pedir ajuda ao banco central britânico. Cinco meses depois, o Northern Rock é nacionalizado.

Em 2006, o banco britânico Northern Rock se voltou aos empréstimos subprime através de um acordo com o Lehman Brothers, que subscreveu o risco.

Em setembro de 2007, o banco estava passando por dificuldades como resultado dos problemas no mercado de crédito. O Northern Rock recebeu ajuda emergencial financeira do banco central britânico, o Bank of England.

A subsequente corrida de correntistas ao banco para sacar seu dinheiro foi a primeira no país desde os tempos vitorianos. A nacionalização, oficializada em 22 de fevereiro de 2008, foi a primeira de um banco britânico desde a década de 70.

Em setembro de 2008, o Lloyds TSB compra o Halifax Bank of Scotland. Um mês depois, o governo britânico intervém para resgatar o novo gigante dos bancos, além do Royal Bank of Scotland.

17 MARÇO 2008: Resgate do Bear Sterns

O banco de investimentos JP Morgan Chase oferece resgatar o rival Bear Stearns. O FMI alerta para a crise do crédito.

A operação é finalmente completada em 30 de maio de 2008. Depois de o governo dos Estados Unidos conceder US$ 30 milhões como garantia contra as perdas do Bear Stearns, as ações do banco são vendidas por um preço mais alto do que a oferta original – US$ 10 por ação, em vez de US$ 2.

Durante esse período, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que as perdas relacionadas à crise financeira internacional podem chegar a US$ 1 trilhão.

COLAPSO GLOBAL

7 SETEMBRO 2008: Resgate das empresas Fannie Mae e Freddie Mac

O governo dos EUA anuncia o resgate das gigantes das hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac, evitando o colapso do mercado imobiliário americano.

Esse foi o início de uma semana que revelou a verdadeira crise nos mercados financeiros. Nesse dia, as duas principais empresas de hipotecas nos Estados Unidos, Fannie Mae e Freddie Mac, tiveram que ser resgatadas pelo governo americano com dinheiro dos contribuintes para evitar o colapso do mercado imobiliário do país.

No dia seguinte, as ações do Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos dos EUA, registram queda de 45% e começam as discussões sobre a crise.

Foi o início do colapso financeiro que afetou o mundo todo.

15 SETEMBRO 2008: Lehman Brothers anuncia concordata

O banco de investimentos americano Lehman Brothers anuncia a concordata depois da recusa do governo dos EUA em resgatar a instituição. As bolsas dos EUA caem 3%. O Bank of America compra o Merrill Lynch.

O banco Lehman Brothers pede a concordata, citando uma dívida bancária de US$ 613 bilhões, US$ 155 bilhões em dívidas aos detentores de títulos e ativos avaliados em US$ 639 bilhões.

As imagens dos funcionários dos bancos guardando os objetos pessoais de seus locais de trabalho são divulgadas ao redor do mundo.

O banco Merrill Lynch, no entanto, tem mais sorte e é comprado pelo Bank of America em uma transação de US$ 50 bilhões.

16 SETEMBRO 2008: Resgate da AIG

A seguradora AIG, que emitiu garantias de crédito para empréstimos de subprime, é resgatada com um pacote de US$ 85 bilhões do Tesouro dos EUA.

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) anuncia um pacote de socorro de US$ 85 bilhões (posteriormente o valor chega a US$ 180 bilhões), quando a nota de crédito da seguradora AIG foi rebaixada para uma classificação menor do que “AA”.

A seguradora foi considerada muito grande para quebrar, já que seu colapso seria sentido em todos os níveis da economia global. A AIG contava com 30 milhões de segurados nos EUA, atividades em 130 países e apólices para mais de 100 mil empresas e outras entidades.

Apesar do resgate da AIG, as ações nos Estados Unidos registraram a maior queda em três anos, em meio à contínua volatilidade financeira. O índice Dow Jones fechou em baixa de mais de 4%, com uma perda de 449,36 pontos.

19 SETEMBRO 2008: Tesouro anuncia pacote de resgate de US$ 700 bilhões

O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, faz um pedido para aprovação de um pacote de emergência de US$ 700 bilhões, finalmente aprovado em outubro.

O TARP (Trouble AssetsRelief Program) foi proposto pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson.

O “Emergency Economic Stabilization Act of 2008” (“Atode EstabilizaçãoEconômicade Emergência de 2008"), conhecido como o pacote de resgate do sistema financeiro dos EUA, foi uma lei aprovada em resposta à crise do subprime e autorizou o secretário do Tesouro a gastar US$ 700 bilhões para comprar ativos podres, especialmente do setor hipotecário, e injetar dinheiro nos bancos. O pacote foi finalmente aprovado em 3 de outubro de 2008, depois de um intenso debate no Congresso.

No Brasil, o índice Bovespa despenca e o dólar dispara.

21 SETEMBRO 2008: Fim do modelo de bancos de investimento

Goldman Sachs e Morgan Stanley abandonam o status de banco de investimentos. Washington Mutual é fechado.

Os dois bancos de investimentos recebem uma aprovação para a mudança do status de bancos de investimentos para holdings numa decisão que marca o fim de uma era em Wall Street.

Quatro dias depois, na maior quebra de um banco dos Estados Unidos até o momento, o gigante do setor de hipotecas dos EUA Washington Mutual, com ativos avaliados em US$ 307 bilhões, é fechado por agências reguladoras e vendido ao JP Morgan Chase.

6 OUTUBRO 2008

O governo brasileiro autoriza o Banco Central a comprar carteiras de créditos de bancos do país que enfrentem dificuldades financeiras. Dois dias depois, no dia 8, o Banco Central utiliza pela primeira vez em mais de cinco anos parte das reservas internacionais para tentar conter o valor do dólar, que chegou a R$ 2,48.

12 OUTUBRO 2008: A Europa apresenta um plano de resgate do sistema bancário

As principais economias europeias anunciam um esquema bilionário para resgatar os bancos.

Os líderes de 15 países europeus se reúnem para tentar combater a crise financeira.

A Alemanha aprova um pacote no valor de 500 bilhões de euros (US$ 683 bilhões), a França se compromete com 350 bilhões de euros (US$ 500 bilhões) e a Espanha aloca 100 bilhões de euros (US$ 143 bilhões).

Grande parte do dinheiro seria usada para garantir empréstimos interbancários – parte de um plano assinado entre as 15 nações da zona do euro.

Os principais bancos centrais do mundo afirmam que irão oferecer às instituições financeiras um valor ilimitado em empréstimos de curto-prazo em dólares para ajudar a aliviar a crise.

Os negócios na Bolsa de Reykjavík, na Islândia, permanecem suspensos devido às “condições pouco comuns do mercado”.

22 OUTUBRO 2008

Uma Medida Provisória do governo brasileiro autoriza os bancos públicos a adquirirem participação em instituições financeiras sem a necessidade de processos de licitação. No dia 29, o Banco Central do Brasil e o Fed, o BC americano, estabelecem uma linha de ‘swap’ de dólares por reais no valor de US$ 30 bilhões, elevando os fundos disponíveis para os leilões do BC brasileiro para tentar conter a alta da moeda americana.

TENTATIVAS DE RECUPERAÇÃO

15 NOVEMBRO 2008

Cúpula do G20 em Washington

Líderes dos países que formam o G20 se comprometem a trabalhar para endurecer a regulamentação financeira no futuro

Líderes globais se encontram em Washington em meio à pior crise financeira em 60 anos e se comprometem a trabalhar para uma regulamentação financeira mais rigorosa no futuro.

A China anuncia um pacote de resgate de US$ 585 bilhões.

Em dezembro, o Federal Reserve (o banco central americano) corta as taxas de juros para entre zero e 0,25%, numa tentativa de aliviar o aprofundamento da recessão.

11 DEZEMBRO 2008

O governo brasileiro anuncia um pacote anti-crise com corte de impostos com o objetivo de injetar R$ 4,8 bilhões na economia. O pacote reduz o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para as montadoras de automóveis, reduz o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para o consumo e reajusta a tabela do Imposto de Renda.)

14 FEVEREIRO 2009: Plano de recuperação dos EUA gera temor de protecionismo

O Congresso dos EUA aprova um pacote de estímulo de US$ 787 bilhões, e o G7 pede que se evite o protecionismo

O Congresso dos Estados Unidos aprova um plano de recuperação econômica de US$ 787 bilhões promovido pelo presidente, Barack Obama, que inclui a cláusula “Buy American”, aumentando os temores de que o protecionismo possa estar crescendo na maior economia do mundo.

Em um encontro na Itália, ministros das Finanças dos países do G7 afirmam que aumentar as barreiras contra o livre comércio poderia agravar ainda mais a crise. Os EUA negam as acusações de protecionismo.

Os ministros pedem ainda uma reforma urgente no Fundo Monetário Internacional, alegando que a crise mostrou as fraquezas do sistema financeiro mundial.

Em janeiro, o Banco Central do Brasil começa um processo de redução das taxas básicas de juros, de 13,75% ao ano para 12,75% ao ano. Os juros chegariam a 8,75% em julho, no menor nível da série histórica iniciada em1996.

9 MARÇO 2009: Dow Jones inicia a recuperação

O índice da Bolsa de Nova York atinge o mínimo de 6.547,05 e começa a se fortalecer

O Dow Jones atinge seu nível mais baixo desde 14 de abril de 1997, depois de seu histórico pico de 14.164,53 pontos em 9 de outubro de 2007.

Durante esse período, o Dow Jones perdeu mais de 500 pontos em vários dias únicos de operações, como em 15 de setembro, quando o Lehman Brothers quebrou.

2 ABRIL 2009: Cúpula do G20 em Londres

Líderes mundiais destinam US$1,1 trilhão ao FMI para ajudar países emergentes

O G20 decide aumentar em US$ 750 bilhões os recursos disponíveis ao Fundo Monetário Internacional, o órgão que monitora o sistema financeiro global. Os líderes ainda destinam US$ 250 bilhões para impulsionar o comércio mundial e combater o protecionismo.

Além da injeção de recursos financeiros, os líderes também concordaram com outros pontos, como a imposição de sanções a paraísos fiscais.

Logo depois, o ministro da Fazenda britânico, Alistair Darling, anuncia que a crise levará o país ao maior déficit orçamentário da história, de 175 bilhões de libras (US$ 287 bilhões), com a dívida total do governo passando passando a 1 trilhão de libras (US$ 1,64 trilhão) até 2014.

13 AGOSTO 2009: França e Alemanha saem da recessão

Os dois países registram crescimento econômico. No entanto, a zona do euro continua em recessão.

As economias francesa e alemã registram crescimento de 0,3% entre abril e junho, encerrando um ano de recessão nas maiores economias europeias.

O fortalecimento das exportações e o aumento no consumo, combinados com pacotes de estímulos dos governos, contribuíram para a recuperação surpreendente.

Mas a atividade econômica na zona do euro caiu em 0,1%, mostrando que a região como um todo permanece em recessão. Esse foi o quinto trimestre consecutivo de contração na zona do euro, mas representou uma melhora significativa desde a queda recorde de 2,5% registrada nos três primeiros meses do ano.

A economia de Hong Kong também saiu da recessão, com o anúncio de um crescimento de 3,3% nos três meses entre abril e junho.

Na segunda-feira, 17 de agosto, foi a vez de o Japão anunciar que havia saído da recessão depois de registrar um crescimento de 0,9% no segundo trimestre.