Antes da cúpula do G20, Obama volta a criticar bônus altos para executivos

Barack Obama
Image caption Obama será o anfitrião da cúpula do G20 na quinta e na sexta.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a criticar neste sábado, em seu programa semanal de rádio,os altos bônus pagos aos executivos das grandes empresas.

Segundo ele, não podem ser tolerados “esquemas que produzem lucros rápidos e gordos bônus para executivos”, mas que ameaçam o sistema financeiro e deixam o ônus aos contribuintes em caso de fracasso.

Os comentários de Obama foram feitos em antecipação à reunião de cúpula do G20, o grupo das 20 principais economias do planeta, que se reúnem na semana que vem em Pittsburgh, nos Estados Unidos, para discutir estratégias comuns de combate à crise econômica global.

O presidente americano prometeu, em suas declarações, trabalhar em conjunto com os demais líderes do G20 para eliminar as diferenças sobre as questões de regulamentação do sistema financeiro.

'Progresso real'

Obama disse ainda que as medidas adotadas após o último encontro do G20, em abril em Londres, produziram “um progresso real” no sentido de combater a crise global, mas afirmou que “interromper o sangramento não é suficiente” e defendeu novas medidas para incentivar o crescimento econômico.

“Sabemos que temos muito a fazer, em conjunto com as outras nações do mundo, para fortalecer as regras que governam os mercados financeiros e para garantir que nunca mais nos encontremos nessa situação precária que nos encontramos há apenas um ano”, afirmou.

Uma das questões centrais da reunião de cúpula que começa na quinta-feira deverá ser a discussão das reformas do sistema financeiro internacional.

Mas os Estados Unidos têm sido criticados pela falta de rapidez do Congresso em aprovar as medidas acertadas durante a última cúpula do G20.

Em suas declarações no programa de rádio deste sábado, Obama procurou dar indicações aos demais países de que seu governo trata com seriedade o combate aos problemas financeiros e aos excessos responsáveis pela crise.

“Nós, como a maior economia do mundo, precisamos liderar, não somente pelas palavras, mas também pelo exemplo”, afirmou o presidente americano.

Bônus

Obama voltou a criticar o pagamento de bônus elevados a executivos, dizendo que “não podemos permitir que a sede por esquemas ligeiros que produzem lucros rápidos e gordos bônus para executivos ameace a segurança de todo nosso sistema financeiro e deixe os contribuintes pendurados para limpar toda a sujeira”.

Larry Summers, o principal assessor de Obama para assuntos econômicos, já afirmou que a maneira de compensar financeiramente os banqueiros deve ser recalibrada para que o comportamento de risco que alimentou a maior crise bancária desde a depressão econômica dos anos 1930 não se repita.

“Na reunião de cúpula do G20, na semana que vem, discutiremos alguns dos passos que são necessários para resguardar nosso sistema financeiro global e reduzir as diferenças sobre regulamentação em todo o mundo”, afirmou Obama durante o programa de rádio.

Ele também reforçou seu pedido para que o Congresso americano aprove sua proposta para a criação de uma agência de proteção ao consumidor de serviços financeiros, que segundo ele estabeleceria regras mais claras sobre financiamentos imobiliários, cartões de crédito e empréstimos.

“Não é supresa que lobistas de grandes bancos de Wall Street estejam trabalhando duro para tentar impedir as reformas que os deixariam responsáveis pelos seus atos e que eles queiram deixar as coisas do jeito que são. Mas não podemos deixar que a política de sempre triunfe em conseguir que os negócios de sempre imperem”, afirmou o presidente.

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