Cisões e impasses marcam reunião do G20

Funcionário coloca cartaz dando boas vindas aos participantes da cúpula do G20
Image caption Funcionário coloca cartaz dando boas vindas aos participantes da cúpula do G20

A reunião do G20 começa nesta quinta-feira na cidade americana de Pittsburgh em meio a divergências que perduram desde o encontro de abril do bloco, em Londres.

A cúpula, que reune os países mais ricos do mundo e as principais economias emergentes, ocorre dias após os Estados Unidos terem imposto uma tarifa de 35% sobre pneus produzidos na China, gerando protestos por parte dos asiáticos.

E tem início horas depois de sindicatos americanos terem pedido a adoção de impostos sobre papel importado da China e da Indonésia.

Tudo isso apesar de, na última reunião, os países do G20 terem divulgado um comunicado conjunto, no qual se comprometiam a combater o protecionismo e a adotar medidas em defesa do livre comércio.

Pouco antes da realização da reunião de abril, o Banco Mundial avaliava que 17 das 20 nações do G20 haviam adotado pelo menos 47 medidas protecionistas.

E um relatório divulgado nesta semana pelo instituto World Trade Alliance, de Genebra, afirmou que, em média, um integrante do G20 quebrou sua promessa de não-protecionismo uma vez a cada três dias.

Controle financeiro

Outro ponto que pouco avançou desde o último encontro é a divergência entre americanos e europeus sobre mecanismos de controle do sistema financeiro.

Os Estados Unidos vêm defendendo a adoção de medidas de fiscalização do setor financeiro, mas a posição fica aquém da que é defendida pelas nações europeias.

Os americanos também acreditam que cabe aos países da UE fazer mais no sentido de garantir a capitalização dos bancos em seus territórios, proposta que é vista com reserva pelos europeus.

Em suma, apesar de a crise econômica global estar dando sinais de melhora em diferentes partes do mundo, há pouco consenso em relação a práticas capazes de garantir um sucesso duradouro e prevenir choques futuros.

“Por enquanto, temos visto declarações bem gerais sobre a importância de se evitar o protecionismo, mas disputas como esta entre Estados Unidos e China despertam dúvidas sobre a seriedade destes termos de compromisso e envenenam todo o ambiente da reunião’’, disse à BBC Brasil Philip Levy, do instituto de pesquisas American Enterprise Institute.

Protecionismo

O economista Barry Bosworth, do Brookings Institution, diz que “os Estados Unidos não são o único (país)” a seguir o caminho do protecionismo, mas crê que a imposição de tarifas sobre os pneus chineses “foi uma decisão muito difícil de defender, até porque o presidente Barack Obama foi tão enfático em sua crítica ao protecionismo na última reunião do G20”.

“Não há como alegar que a China agiu de forma ilegal ou que estava praticando dumping. A punição aos chineses não vai gerar empregos no mercado americano, porque os custos trabalhistas nos Estados Unidos seriam muito elevados para produzir esses pneus por aqui”, afirma Bosworth.

Para o analista, como os Estados Unidos têm uma economia diversificada e vasta, “nós temos dificuldades em ver como a economia global nos beneficia”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve chegar a Pittsburgh por volta de 12h, após vir de Nova York, onde participou da Assembleia Geral da ONU.

Logo após a chegada, ele será um dos convidados de um almoço com outros chefes de Estado.

A tarde, ele se encontra com sindicalistas americanos e à noite, participa de um jantar oferecido pelo presidente Obama aos chefes de Estado presentes à cúpula.

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