Militares prendem simpatizantes de Zelaya em Honduras

Partidários de Zelaya são detidos pela polícia nesta quarta-feira (AP)
Image caption Alguns partidários de Zelaya foram presos pela polícia

Forças militares de Honduras prenderam nesta quarta-feira simpatizantes do presidente deposto do país, Manuel Zelaya, que estavam acampados na sede do Instituto Nacional Agrário, na capital, Tegucigalpa.

Os 57 trabalhadores rurais acampados foram retirados do local, que era palco do protesto desde a deposição de Zelaya, há cerca de três meses. Não está claro quantos exatamente foram presos.

De acordo com a polícia, a medida foi autorizada pelo decreto de estado de sítio emitido pelo governo interino do país no último final de semana. O decreto determina, entre outras restrições, a desocupação de prédios públicos tomados por manifestantes.

O porta-voz da polícia hondurenha, Orlin Cerrato, afirmou que as pessoas detidas serão interrogadas para que se determine “sua responsabilidade” e disse que outras operações similares podem ser realizadas.

Ainda segundo o porta-voz, a desocupação se deu de forma pacífica e os manifestantes teriam se retirado “voluntariamente” do local.

“Não houve nenhum ferido”, disse Cerrato, de acordo com o jornal hondurenho El Heraldo.

Segundo o canal de TV Telesur, no entanto, partidários de Zelaya teriam afirmado que o local foi tomado de forma violenta por volta de 6h da manhã desta quarta-feira (9h em Brasília).

Entre as pessoas que ocupavam a sede do Instituto Nacional Agrário estavam idosos, mulheres e crianças, de acordo com a imprensa hondurenha.

Estado de sítio

A desocupação do prédio é mais uma demonstração de força do governo do presidente interino do país, Roberto Micheletti, que na última segunda-feira determinou o fechamento de uma emissora de rádio e outra de TV identificadas com Zelaya.

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No último dia 21 de setembro, o presidente deposto retornou à Tegucigalpa depois de passar quase três meses exilado e se refugiou, junto com simpatizantes, na embaixada brasileira.

A representação diplomática do Brasil continua cercada por militares hondurenhos.

Nesta quarta-feira, uma missão formada por seis deputados brasileiros partiu para Tegucigalpa para acompanhar a situação da embaixada.

Em entrevista à Agência Câmara, o coordenador da missão, deputado Raul Jungmann, afirmou que o objetivo da comissão não é mediar a crise.

Os parlamentares também devem se encontrar com seus colegas hondurenhos para discutir a segurança da comunidade brasileira no país.

Crise

A crise política em Honduras teve início com a deposição de Zelaya, em junho, e se intensificou com sua volta ao país, na semana passada.

Nesta semana, empresários contrários a Zelaya apresentaram uma proposta para resolver a crise que prevê o retorno do presidente ao poder, mas sob prisão domiciliar e com suas atribuições restritas.

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Na última segunda-feira, o governo interino de Honduras também autorizou que uma missão da OEA (Organização dos Estados Americanos) desembarque no país em dia 2 de outubro para fazer os preparativos para que uma comissão formadas por chanceleres da região chegue ao país no dia 7 para negociações.

A decisão foi tomada apenas uma dia depois de o governo de Micheletti ter impedido a entrada de outra missão da OEA em Honduras.

Em declarações ao Canal 5 de Honduras, na última terça-feira, o chefe do Estado Maior das Forças Armadas do país, general Romeo Vásquez, afirmou acreditar que a crise política no país irá se solucionar de maneira “rápida”.

“Vejo que rapidamente estamos chegando a uma solução. Percebo a disposição de diferentes setores para buscar uma saída”, afirmou o general.

As Forças Armadas hondurenhas tiveram um importante papel na deposição de Zelaya.

Brasil

Lançado ao centro da crise em Honduras após Zelaya ter se refugiado na embaixada brasileira, o governo do Brasil defende o retorno do presidente deposto ao poder.

Em uma audiência pública no Senado na terça-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o governo brasileiro “não tem o que fazer nesse momento”.

Segundo o chanceler, o caminho agora é “aguardar as negociações no âmbito da OEA (Organização dos Estados Americanos)”.

Leia também na BBC Brasil: 'Brasil não tem o que fazer, a não ser aguardar negociação', diz Amorim

“O protagonismo nesse caso não cabe ao Brasil. A comunidade internacional precisa compartilhar conosco as dificuldades ou ônus da crise”, disse.

Ainda de acordo com Amorim, o governo brasileiro vem fazendo sucessivos contatos com os organismos internacionais e com os Estados Unidos, no sentido de que todos acompanhem de perto a situação na embaixada.

Amorim negou que o Brasil esteja interferindo em assunto doméstico de outro país.

“O que está em jogo não é apenas a situação em Honduras, mas a democracia na região”, disse.

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