Israel faz acordo com Hamas em troca de prova de vida de soldado

Gilad Shalit
Image caption Shalit foi capturado em 2006 em uma operação perto da Faixa de Gaza

Israel afirmou que vai libertar 20 mulheres palestinas de suas prisões em troca de uma prova de que o soldado Gilad Shalit, capturado por militantes do Hamas perto da Faixa de Gaza em 2006, ainda está vivo.

"Vamos libertar 20 mulheres e eles vão nos fornecer informações atualizadas sobre a saúde dele", disse o presidente israelense, Shimon Peres.

"É um passo importante, mas é apenas um passo. O caminho para a sua libertação ainda é longo e complicado", acrescentou.

Uma declaração do gabinete do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, informou que o governo israelense espera receber um vídeo gravado recentemente pelos militantes que capturaram Shalit.

"É importante que o mundo todo saiba que Gilad Shalit está vivo e bem e que o Hamas é responsável por sua saúde e estado", disse Netanyahu segundo informações de seu gabinete.

A declaração do gabinete do premiê de Israel ainda informa que o acordo foi proposto por mediadores internacionais que viram o vídeo, como uma "medida para construir a confiança" entre as duas partes.

Fontes próximas aos negociadores informaram que a troca está marcada para sexta-feira, depois que uma lista das prisioneiras for divulgada para permitir que sejam apresentadas objeções legais, caso existam.

Prisioneiros

Atualmente Israel mantem cerca de 10 mil palestinos em suas prisões, incluindo dezenas de mulheres. O Hamas, por sua vez, exige a libertação de centenas de prisioneiros, muitos dos quais cumprem longas sentenças devido a ataques, em troca do soldado.

Um porta-voz do braço armado do Hamas disse em uma entrevista coletiva na Faixa de Gaza que 19 das mulheres que serão libertadas são da Cisjordânia e a 20ª é da Faixa de Gaza. Esta última será libertada junto com o filho que teve na prisão.

"Esta é uma vitória para os mediadores egípcios e alemães", afirmou o porta-voz conhecido como Abu Ubeida.

Ubeida também afirmou que quatro das mulheres são integrantes do Hamas enquanto cinco são do grupo adversário, o Fatah. Três são parte do grupo Jihad Islâmico e as outras são de outros grupos militantes palestinos.

Nos últimos três anos foram divulgadas três cartas escritas por Shalit e uma gravação em áudio, mas o Hamas não permitiu que autoridades humanitárias internacionais chegassem até o soldado, apesar dos muitos pedidos que já foram feitos.

Uma outra autoridade do Hamas, Osama Mzeini, esclareceu os termos do acordo.

"O mediador alemão nos pediu para dar informações sobre este soldado (Gilad Shalit), se ele está vivo ou não. Pedimos a eles para nos dar algo em troca, pois nada é de graça, os israelenses concordaram em libertar 20 mulheres das prisões e nós concordamos, em troca, dar informações sobre o soldado", disse.

O soldado Gilad Shalit, que hoje tem 23 anos, foi capturado no dia 25 de junho de 2006, quando participava de uma patrulha perto da fronteira de Israel com a Faixa de Gaza.

Três organizações palestinas assumiram a responsabilidade pela captura de Shalit – o Hamas, o Comitê de Resistência Popular e o Exército do Islã – porém, poucos meses depois, o braço armado do Hamas assumiu as negociações relacionadas à libertação do soldado exigindo a libertação de pelo menos mil prisioneiros palestinos das prisões israelenses.

De acordo com a correspondente da BBC em Jerusalém Katya Adler, está é a última em uma série de negociações entre israelenses e palestinos para a libertação de Shalit. E, segundo Adler, o público israelense está ansioso por informações a respeito do soldado capturado.

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