Após decisão do COI, Lula diz que 'este é o dia mais feliz de sua vida'

Lula chora ao assinar contrato com o COI para que o Rio sedie a Olimpíada de 2016 (Getty Images)
Image caption Lula afirmou que Olimpíada faz Brasil virar país de 'primeira classe'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, após o anúncio de que o Rio de Janeiro será a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, que este “é o dia mais feliz” de sua vida.

“Este é o dia em que eu mais senti orgulho de ser brasileiro”, disse Lula em uma coletiva de imprensa em Copenhague, Dinamarca, durante a qual chegou a chorar em alguns momentos.

No evento, o presidente foi saudado pelos representantes da comissão da candidatura do Rio com gritos e confetes verdes e amarelos.

Ele ainda brincou com os líderes dos países que também concorriam para ser sede dos Jogos, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, e o premiê japonês, Yukio Hatoyama.

“Vocês já foram felizes muitas vezes e nós tristes muitas vezes, agora nós temos o direito”.

Leia também na BBC Brasil: Rio bate Madri e será sede da Olimpíada de 2016

“País de primeira classe”

Pouco antes, Lula afirmou que “há muito trabalho pela frente”, mas que o Rio de Janeiro irá “fazer a mais extraordinária Olimpíada que esse país já viu e que o mundo já viu”.

“Eu acho que é dia de comemorar, porque o Brasil saiu do patamar de país de segunda classe e entrou no patamar de país de primeira classe”, disse o presidente.

“Respeito é bom, nós damos e gostamos de receber, e hoje nós recebemos o respeito que as pessoas começaram a ter”, disse.

Após o anúncio da vitória da candidatura do Rio, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também afirmou que a decisão do COI (Comitê Olímpico Internacional) “mostra a mudança pela qual o mundo esta passando”.

Já o ministro dos Esportes, Orlando Silva, comentou a chegada de Obama a Copenhague no dia da votação e disse que “uma disputa como esta não se ganha com discurso na apresentação final”.

“Esse resultado é o coroamento de um processo inteiro”, disse.

Espanhóis

Na saída do centro de convenções onde foi anunciada a escolha do Rio, a delegação espanhola que foi a Copenhague para fazer lobby pela candidatura de Madri parecia bastante abalada.

Perguntado pela BBC Brasil sobre o que achava da vitória da cidade brasileira, o jogador de futebol Raúl, do Real Madrid, que fazia parte da delegação, disse apenas “parabéns”, e saiu cabisbaixo.

Um dos membros do Comitê Olímpico Internacional, o alemão Thomas Bach, afirmou que o órgão foi convencido “da capacidade do Brasil” e pela “mensagem de universalidade” da campanha Rio-2016.

Na votação final, o Rio bateu Madri por uma margem ampla, de 66 votos a 32.

Para Orlando Silva, apesar de ter ganhado a disputa, o Rio teria sido a “segunda escolho de todos os delegados do COI”.

“A primeira opção do delegado é sempre ligada a interesse pessoal, compromisso regional, de relacionamento, da modalidade que ele representa”, disse ele sobre o processo de votação.

“Veja bem, o Rio subiu de 20 em 20, o que significa que conforme uma cidade ia caindo, o voto era transferido para o Rio. Isso acontece porque tem gente que promete o primeiro voto”.

Comemoração

O escritor Paulo Coelho, que ontem havia dito informalmente que não estava confiante na vitória do Rio, disse que a delegação brasileira “trabalhou muito” no dia da votação.

“Enquanto o carro não der a última volta na pista, a gente não pode declarar vitória. Ontem ainda faltavam algumas coisas para a candidatura do Rio. Hoje ainda se trabalhou muito”, disse.

Durante a festa de comemoração, o ministro Orlando Silva subiu ao palco da área VIP e cantouo samba “Sandália de Prata”.

Depois, a banda tocou “Cidade Maravilhosa”, que já virou o hino da delegação brasileira.

Notícias relacionadas