Mantega formaliza empréstimo de US$ 10 bi ao FMI

O ministro da Fazenda, Guido Mantega (arquivo)
Image caption Guido Mantega afirmou que Brasil vive 'momento histórico'

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta segunda-feira a formalização do empréstimo de US$ 10 bilhões que o Brasil ofereceu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em junho.

Às vésperas de um encontro da instituição, que ocorre na terça-feira em Istambul, na Turquia, o ministro afirmou ter entregado ao diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, a carta que anuncia formalmente a operação.

"É um momento histórico para nós. É a primeira vez na história que o Brasil empresta recurso ao FMI e, portanto, à comunidade internacional", disse Mantega.

Com o empréstimo, que será feito por meio da aquisição de bônus do FMI, expressos em Direito Especial de Saque (DES), um ativo financeiro do Fundo, o Brasil espera elevar sua influência dentro do organismo e reforçar a imagem de solidez da economia brasileira.

Segundo o Ministério da Fazenda, o valor de US$ 10 bilhões corresponde, a grosso modo, à cota brasileira no FMI, tomando como referência a cota aprovada na reforma concluída em abril de 2008.

Quando anunciou a operação, há dois meses, Mantega disse que o empréstimo poderá ser usado para ajudar países emergentes, principalmente aqueles que enfrentam escassez de capital devido à crise econômica internacional.

Durante a cúpula do G20 (grupo que reúne os países ricos e os principais emergentes), realizada no início de abril em Londres, ficou decidido que era necessário aumentar os recursos do FMI em US$ 500 bilhões para que o Fundo possa ajudar os países em dificuldades.

Pelo acordo, as quatro economias emergentes mais importantes do mundo – Brasil, Rússia, Índia e China, os chamados BRIC – concordaram prover US$ 80 bilhões ao fundo. A maior contribuição, de US$ 50 bilhões, será chinesa.

Na sexta-feira, o diretor-geral do FMI, Strauss Kahn pediu que os 186 membros do FMI proporcionem um “aumento substancial” nos recursos do fundo, para que a instituição possa atuar como credora em situações de emergência durante a crise.

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