Turquia e Armênia assinam acordo para retomar relações diplomáticas

Ministros assinando acordo
Image caption Ministros dos dois países assinaram o acordo na Suíça

A Turquia e a Armênia assinaram neste sábado um acordo histórico para normalizar as relações entre os países depois de um século de hostilidades.

O acordo foi assinado pelos ministros das Relações Exteriores dos dois países. Pelo acordo, a Turquia e a Armênia retomarão as relações diplomáticas e reabrirão as fronteiras que separam os países. O entendimento ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos da Armênia e da Turquia.

Na Armênia, houve protestos nas ruas na sexta-feira, já que, para alguns, o acordo não aborda o assassinato de centenas de milhares de armênios em 1915.

Os armênios querem que a Turquia reconheça que os assassinatos foram um ato genocida, mas muitos governos turcos se recusam a admitir isso.

O acordo propõe a formação de um comitê independente de historiadores para estudar as mortes.

Protestos

Os ministros das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, e da Armênia, Edward Nalbandian, assinaram os protocolos na Suíça após um atraso de mais de três horas.

A delegação da Armênia teria discordado de um pronunciamento que seria feito pelos turcos. Depois da assinatura do acordo, nenhuma das partes se pronunciou.

A mediação foi feita pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, e pelo representante europeu de segurança, Javier Solana.

Na sexta-feira, milhares de armênios foram às ruas na capital do país, Yerevan.

"O reconhecimento internacional do genocídio armênio será escondido por esta assinatura ou ratificação", disse à BBC o deputado Dashnak Tsutyun, do partido nacionalista.

Centenas de milhares de armênios morreram em 1915, quando foram deportados em massa para o leste da Anatólia, pelo império Otomano. Eles foram mortos por soldados ou morreram de fome e doenças.

A Armênia faz uma campanha para que os assassinatos sejam reconhecidos internacionalmente como genocídio. Mais de 20 países apóiam a visão da Armênia.

A Turquia reconhece que muitos armênios morreram, mas afirma que as mortes fazem parte do histórico de vítima da Primeira Guerra Mundial.

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