América Latina

Zelaya quer ser restituído à Presidência até 15 de outubro

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, em reunião na embaixada brasileira em Tegucigalpa (AFP, 7 de outubro)

Negociadores de Zelaya tiveram acesso à embaixada nesta quarta

Clique O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, estipulou um prazo até o dia 15 de outubro para ser restituído à Presidência do país, alegando que só assim poderá ser realizada a eleição presidencial prevista para o dia 29 de novembro.

A declaração de Zelaya, que está refugiado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, foi feita nesta quarta-feira, quando teve início uma rodada de negociações envolvendo representantes do líder deposto e do governo interino, sob a supervisão da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Espanha.

O embaixador do Brasil na OEA, Ruy Casaes, que participa da reunião em Honduras, afirmou que a postura do líder deposto “faz parte de um jogo”.

“Não estou empregando a palavra jogo no sentido negativo. É normal quando duas partes estejam para entrar num processo de negociação, (que) elas entrem com posições maximalistas. É sempre assim. A declaração, nós entendemos, tem um sentido eminentemente tático”, afirmou Casaes, ao chegar ao Hotel Clarion, em Tegucigalpa, onde está sendo realizado o encontro.

Clique Leia também na BBC Brasil: Honduras: retorno de Zelaya à Presidência é entrave nas negociações

Também nesta quarta-feira, manifestantes pró-Zelaya e policiais entraram em choque durante um protesto realizado nas proximidades da embaixada americana em Tegucigalpa.

Atraso

A reunião entre os representantes da OEA, do governo de facto e de Zelaya sofreu atraso, já que, até a manhã desta quarta-feira, o governo interino não havia permitido a entrada dos negociadores de Zelaya na Embaixada do Brasil.

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, em Tegucigalpa nesta quarta-feira (AP)

Insulza lidera missão da OEA que desembarcou em Honduras

Os negociadores finalmente tiveram acesso ao complexo da embaixada somente minutos antes do horário previsto para o início reunião. No local, eles se encontraram também com John Biehl, o representante do secretário-geral da OEA.

Inicialmente, Zelaya contaria com nove negociadores, entre ex-ministros de seu gabinete e integrantes de movimentos sociais que formam a chamada Frente Nacional de Resistência ao Golpe.

Por fim, ele concordou em apresentar apenas três representantes: Víctor Meza, que respondia pela pasta do Interior, Mayra Mejía, ex-titular do Trabalho, e o dirigente sindical Juan Barahona, que acabou chegando com uma hora de atraso.

O governo interino do presidente Roberto Micheletti tem na figura de Vilma Morales, ex-presidente da Suprema Corte de Honduras, uma de suas principais negociadoras.

Sinais

Nesta semana, Micheletti deu sinais mistos de que estaria disposto a flexibilizar a sua posição. O líder deposto vinha rechaçando o regresso de Zelaya à Presidência.

Micheletti afirmou que os responsáveis pela expulsão de Zelaya do país, no dia 28 de junho, seriam punidos pela Justiça hondurenha.

O líder interino também admitiu que poderia aceitar renunciar à Presidência, mas desde que isso ocorresse após a realização de eleições de novembro, algo que o campo zelaysta rejeita.

O embaixador Ruy Casaes reiterou que a OEA e a comunidade internacional permanecem unânimes em não aceitar a realização do pleito sem que Zelaya seja reconduzido à Presidência.

“Vários países já disseram, cada vez de maneira mais coesa, que não reconhecerão os resultados das eleições se não tiver havido a restauração da ordem democrática e do Estado de direito. O que significa o regresso, a reinvestidura do presidente Zelaya a suas funções”, afirmou.

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