Escândalo de gastos volta ao Parlamento britânico em 1º dia após recesso

No primeiro dia de trabalho após o recesso de verão, o escândalo dos gastos de parlamentares voltou ao centro do debate na Câmara baixa britânica nesta segunda-feira.

O líder da casa, John Bercow, pediu a todos os representantes que justifiquem – e em alguns casos que reembolsem – despesas questionáveis cobertas com recursos públicos.

Em dezembro, uma auditoria independente que examina gastos desde 2004 divulgará suas conclusões.

O responsável pela auditoria, Sir Thomas Legg, enviou a todos os parlamentares cartas pedindo mais detalhes sobre seus pedidos de reembolso.

O próprio primeiro-ministro, Gordon Brown, pode estar entre os parlamentares cujas despesas saltaram aos olhos de Sir Legg, por ter gasto em limpeza para sua casa no centro de Londres mais do que o que Legg acredita ser adequado.

Porém, a aleatoriedade dos critérios de Sir Legg já está sendo questionada por parlamentares, que o acusam de ter "criado novas regras" de reembolso em vez de simplesmente apurar se as despesas feitas desde 2004 se encaixam nas regras válidas à época.

Novas regras

A BBC apurou que o auditor estabeleceu limites para alguns itens, incluindo 2 mil libras esterlinas (cerca de R$ 5.500) para manutenção de jardins e metade disso para limpeza.

Um dos membros do comitê que receberá as conclusões da auditoria, Sir Stuart Bell, disse à BBC que a revisão deve ser feita "de acordo com as regras válidas à época e os padrões aplicados à época nos últimos anos".

"Creio que muitos parlamentares, se lerem o jornal, podem achar que (Sir Legg) não está se restringindo a isso, não está respeitando as decisões tomadas pelo escritório de finanças de acordo com as regras da época", afirmou.

Em linha semelhante, o ministro de Comércio, Peter Mandelson, disse acreditar que muitos parlamentares podem considerar "injustos" os questionamentos de Legg.

"Mas eles também têm de entender o estado da opinião pública e, para pôr um fim nessa história, acho que os parlamentares têm de engolir essa, por mais doloroso que seja."

Em uma entrevista na TV, o premiê Gordon Brown sugeriu aos parlamentares acatar as recomendações do auditor.

"Temos de lançar este sistema velho e desacreditado na lixeira da história", disse Brown.

"Meu conselho às pessoas (parlamentares) é que se Sir Thomas Legg diz que é preciso devolver dinheiro, vamos fazê-lo, vamos resolver essa questão e voltar com um sistema que goze de credibilidade."

O escândalo dos gastos dos parlamentares começou quando as quantias reembolsadas por diversas despesas foram publicadas pelo jornal <i>Daily Telegraph</i> em maio.

Entre os pedidos de reembolso estavam gastos com móveis caros e TVs, e valores acima do necessário para amortização de hipotecas e pagamento de aluguéis.

Desde então, mudanças foram feitas no sistema e diversos parlamentares devolveram aos cofres públicos os reembolsos de seus gastos.

Além disso, 20 parlamentares teriam anunciado que não vão concorrer à reeleição no ano que vem por ligação com os escândalos.

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