Congo expulsa mais de 20 mil angolanos em retaliação

Refugiados (arquivo)
Image caption Na província de Uíge há relatos de surtos de malária entre refugiados

A República Democrática do Congo expulsou mais de 20 mil angolanos de seu território. Muitos deles já viviam há anos no Congo depois de fugirem da guerra civil em Angola.

Os angolanos afirmam que tiveram que deixar tudo o que possuíam para trás ao serem obrigados a cruzar a fronteira de volta, pois teriam recebido o aviso para deixar o Congo na última hora.

O governo de Angola agora está tendo dificuldades para lidar com o grande número de pessoas que está retornando ao país.

Muitos dos angolanos expulsos passaram dias caminhando ou viajando em caminhões.

Nas províncias de Cabinda e Zaire, o governo angolano tenta lidar com o fluxo de pessoas, dando assistência aos mais necessitados, e tentando alojá-los em acampamentos improvisados em terrenos das prefeituras.

Na província de Uíge centenas de pessoas chegaram aos postos médicos e há informações de surtos de malária e diarreia.

Um dos angolanos expulsos da República Democrática do Congo disse à BBC que as autoridades congolesas estão agindo em represália às expulsões frequentes feitas pelo governo de Angola de imigrantes congoleses que trabalham ilegalmente nas minas de diamante do país.

"Há represálias das autoridades contra os angolanos que vivem no país. Eu vivo lá de forma legal, mas o governo congolês está expulsando todos os angolanos, independentemente de estarem legais ou ilegais", afirmou. "Quando não conseguimos escapar, é a própria população congolesa que ataca os angolanos."

Segundo agências de notícias as autoridades angolanas estão expulsando congoleses principalmente das regiões de Cabinda e Soyo.

Os dois países dividem uma longa fronteira que corta regiões ricas em diamante.

Parlamento

O repatriamento forçado dos angolanos começou na segunda-feira passada, depois de o Parlamento da República Democrática do Congo ter aprovado uma resolução para expulsar os cidadãos angolanos do país.

O governo angolano reconhece que esta medida foi uma resposta à expulsão de congoleses das regiões de minas de diamantes. Mas afirma que os angolanos moradores do Congo não estão ilegais, pois muitos deles são refugiados de guerra e pessoas que vivem no país vizinho há mais de 30 anos e em situação regularizada.

Uma delegação do governo de Angola foi enviada à capital congolesa, Kinshasa, na segunda-feira para tentar resolver a questão.

A Igreja angolana e organizações não governamentais estão mobilizadas para lidar com o fluxo de pessoas que volta ao país.