'Dama de ferro' sérvia é libertada por bom comportamento

Biljana Plavsic (arquivo)
Image caption Plavsic foi braço direito de Karadzic, que está sendo julgado em Haia

A ex-presidente sérvia da Bósnia Biljana Plavsic, conhecida como a "dama de ferro" por suas visões ortodoxas, foi libertada nesta terça-feira após cumprir seis anos de prisão por crimes contra a humanidade.

Plavsic, autoridade de mais alta patente da ex-Iugoslávia a admitir culpa em acusações relativas ao conflito da Bósnia, foi condenada em 2003 pelo tribunal da ONU para a ex-Iugoslávia, instalado em Haia, na Holanda.

Ela cumpriu pena no presídio de segurança máxima de Hinsenberg, na Suécia – uma decisão que muitos criticaram à época, mencionando o conforto das instalações e a legislação sueca, que permite a libertação de prisioneiros por bom comportamento faltando um terço para o fim da pena.

A "dama de ferro sérvia" foi apontada como vice do ex-presidente Radovan Karadzic quando a República Sérvia da Bósnia declarou sua independência do resto do país, em 1992.

Karadzic, ele mesmo réu em 11 acusações de crimes contra a humanidade, está sendo julgado em Haia pelo segundo dia nesta terça-feira.

Entenda: O julgamento de Radovan Karadzic

Hoje com 79 anos de idade, Plavsic se referiu aos muçulmanos – religião predominante em grande parte da Bósnia – como um "defeito genético" em um corpo sérvio.

Além de muçulmanos, ela foi condenada por perseguir croatas – em sua maioria católicos – durante o conflito na ex-república iugoslava.

Durante o tempo na prisão, Plavsic escreveu um livro, publicado em 2005, em que narra sua versão sobre os eventos que levaram à guerra da Bósnia.

No livro, ela diz que Karadzic, capturado em 2008, é "um covarde", mas que seu principal general, Ratko Mladic, que continua foragido, é um "grande homem" que "deveria defender o povo sérvio e seus soldados diante do tribunal de Haia, mesmo que isso custe seu sacrifício".

Notícias relacionadas