Juízes ouvem gravação de sexo em caso de poluição sonora

Steve e Caroline Cartwright deixam o tribunal em Newcastle
Image caption Gravações das relações do casal foram tocadas no tribunal

Juízes de um tribunal britânico ouviram uma gravação de dez minutos dos ruídos das relações sexuais de um casal durante o julgamento de um processo por poluição sonora.

Os vizinhos alegam que as sessões diárias de sexo do casal estavam arruinando suas vidas por não deixá-los dormir.

As relações sexuais de Caroline e Steve Cartwright, foram descritas pelos vizinhos como “anormais” e “assassinas” no tribunal de Newcastle.

Eles dizem que as sessões diárias de sexo do casal começavam por volta da meia-noite e duravam até três horas.

O tribunal analisa um apelo de Caroline Cartwright à sua condenação por ignorar uma ordem judicial para controlar o volume de seus ruídos durante as relações sexuais.

Ela alega que as leis de direitos humanos dão a ela o direito de “respeito à vida privada e familiar”.

Gravação

Image caption O'Connor disse que sexo dos vizinhos não a deixava dormir

A vizinha de porta do casal Rachel O’Connor disse ao tribunal que frequentemente se atrasava para o trabalho por não conseguir acordar pela manhã depois de ficar acordada boa parte da noite por causa do barulho dos vizinhos.

“Pelos barulhos, é como se ambos estivessem sofrendo uma dor considerável. Eu não posso descrever o ruído. Eu nunca escutei nada igual”, disse ela.

Equipamentos especializados de gravação foram instalados no apartamento de O’Connor pelo governo local e registraram níveis médios de ruído entre 30 e 40 decibéis, com um pico de 47 decibéis.

Esse nível de ruído é suficiente para interromper o sono e dificultar a comunicação verbal entre as pessoas.

Em seu depoimento ao tribunal, Caroline Cartwright disse que não era capaz de controlar os ruídos que emite durante as relações sexuais.

“Após receber a ordem judicial para controlar o barulho, eu tentei controlar. Até tentei usar um travesseiro (sobre o rosto) para abafar o ruído”, afirmou.

“Não entendi por que as pessoas me pediam para ficar quieta, porque para mim isso era normal”, alegou.

Ela pediu o depoimento de um psicólogo como testemunha de defesa para alegar que sua emissão de ruídos durante o sexo era normal.

O julgamento deve ser retomado nesta terça-feira.