Em visita de Obama a Tóquio, EUA e Japão prometem renovar aliança

Barack Obama (esq.) e Yukio Hatoyama em Tóquio
Image caption Barack Obama iniciou viagem à Ásia com visita ao Japão

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, concordaram em renovar a aliança entre os dois países no primeiro dia da primeira visita do presidente americano à Ásia.

Depois de uma reunião em Tóquio, Obama disse que os laços entre os dois países são baseados em valores e interesses em comum, mas que estes vínculos precisam ser renovados para o século 21.

Obama destacou que sua primeira parada na viagem oficial pela Ásia foi no Japão e disse que iniciou sua jornada em Tóquio, pois "a aliança entre os Estados Unidos e o Japão é a base para segurança e prosperidade não apenas para nossos dois países, mas para a região da Ásia e Pacífico."

"Eu e Yukio (Hatoyama) fomos eleitos com uma promessa de mudança. Mas não deve haver dúvidas, enquanto levamos nossos países para uma nova direção, nossa aliança vai permanecer e nossos esforços serão mais fortes e bem sucedidos para enfrentar os desafios do século 21", afirmou Obama.

"Os Estados Unidos vão fortalecer suas alianças, construir novas parcerias e serão parte de esforços multilaterais e instituições regionais que proporcionam avanços na segurança regional e prosperidade. Temos que compreender que o futuro dos Estados Unidos e o da Ásia estão ligados de modo insolúvel", afirmou.

O Japão é a etapa inicial da primeira viagem de Obama à Ásia como presidente. Ele ainda visitará Cingapura, onde participa da cúpula da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec), China e Coreia do Sul.

As maiores expectativas do giro de Obama pelo continente estão na visita à China. Obama afirmou que a China é um parceiro e também um rival, e alertou para a necessidade de equilibrar as relações comerciais com Pequim para evitar "tensões" entre as duas potências.

Afeganistão

A chegada de Obama a Tóquio ocorre em um momento de diferença entre os dois aliados sobre a presença militar americana na região.

O primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, indicou que seu país quer fortalecer suas relações com a Ásia e se opõe a planos dos Estados Unidos de deslocar uma base militar na ilha de Okinawa.

Os Estados Unidos, que consideram o lugar estratégico por ser perto da China e de Taiwan, querem mover a base para outra parte da ilha, longe da área residencial. Mas o Japão quer que a base saia da ilha por completo.

Ainda na questão militar, o Japão propôs doar US$ 5 bilhões nos próximos cinco anos em ajuda para a reconstrução do Afeganistão. Mas em troca, quer acabar com toda a ajuda logística do país às tropas americanas, principalmente o fornecimento de combustível às aeronaves e embarcações.

Hatoyama afirmou que o Japão está analisando as opções para apoio no Afeganistão.

"Precisamos nos perguntar a importância do papel (do reabastecimento). Acredito que, analisando em perspectiva, pensamos que há uma forma mais apropriada de apoiar a situação do Afeganistão, procurando fornecer apoio monetário para os pobres do Afeganistão, criar mais empregos locais."

"Acreditamos que este seja um apoio adequado do Japão para o Afeganistão, então estamos analisando um pacote mais abrangente ao invés de reabastecer embarcações para o Afeganistão", disse o premiê japonês.

Obama confirmou que discutiu com Hatoyama a cooperação dos dois países na questão do Afeganistão e também do Paquistão.

"E agradeci ao povo do Japão e ao primeiro-ministro pela doação de US$ 5 bilhões nos próximos cinco anos para apoiar nossos esforços compartilhados no Afeganistão, além do compromisso (de doação) de bilhões de dólares para o Paquistão."

"Isto destaca o papel importante do Japão dentro de uma abrangente coalizão internacional que está progredindo com as causas da estabilidade e oportunidade no Afeganistão e Paquistão", afirmou Obama.

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