Obama pede libertação de líder oposicionista em Mianmar

A líder oposicionista de Mianmar, Aung San Suu Kyi
Image caption Suu Kyi teve prisão domiciliar estendida em agosto.

O presidente americano, Barack Obama, fez um apelo pessoal ao primeiro-ministro de Mianmar, general Thein Sein, para que liberte a líder oposicionista pró-democracia, Aung San Suu Kyi.

O pedido foi feito durante um encontro histórico que Obama teve com os dez líderes da Associação dos Países do Sudeste Asiático (Asean, na sigla em inglês), que acontece paralelamente à cúpula da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec).

Até então governos americanos haviam se recusado a participar de encontros da Asean porque isto implica sentar-se à mesa com membros do governo militar de Mianmar.

Segundo a correspondente da BBC em Cingapura, Rachel Harvey, atitude de Obama é um sinal de que ele quer estreitar as relações com a região.

Um comunicado conjunto divulgado após o encontro elogiou a política de engajamento do líder americano com Mianmar e ressaltou "a importância de reconciliação nacional naquele país", sem citar a situação de Aung San Suu Kyi.

A prisão domiciliar de Suu Kyi foi estendida em agosto e, segundo analistas, as autoridades birmanesas querem mantê-la afastada do público até as eleições do ano que vem. Nas últimas duas décadas, ela passou 14 anos presa.

"As eleições gerais em Mianmar no ano que vem devem ser conduzidas de forma livre, justa e transparente para que sejam reconhecidas pela comunidade internacional", disse o comunicado conjunto.

O partido da líder oposicionista ganhou as eleições de 1990 mas a junta militar nunca permitiu que ela assumisse a Presidência.

O governo Obama diz estar disposto a um maior engajamento diplomático com o governo militar de Mianmar, mas reafirmou que as sanções econômicas atualmente impostas ao país vão permanecer até que haja progressos democráticos.

Irã

Obama realiza esta semana sua primeira viagem presidencial à Ásia. Após passar pelo Japão, o líder americano chegou à Cingapura no sábado para participar da cúpula da Apec.

Neste domingo, antes de seguir para a China, Obama se reuniu rapidamente com o presidente russo, Dmitry Medvedev, com quem discutiu sobre o controle de armas e o programa nuclear do Irã.

Leia na BBC Brasil: Diálogo com a China será principal desafio de Obama à Ásia

Durante o encontro, os dois concordaram que o "tempo está acabando" para os diálogos com o país.

Obama disse que até agora o Irã não tem respondido positivamente a uma proposta da ONU para que o urânio enriquecido do país seja enviado ao exterior para ser reprocessado.

"Infelizmente, pelo menos até agora o Irã tem sido incapaz de dizer sim para o que todo mundo reconhece como uma abordagem criativa e construtiva".

Medvedev, por sua vez, disse que "graças aos esforços conjuntos o processo de negociação não parou, mas não estamos completamente satisfeitos com o passo que ele está tomando".

"Se não der certo, temos outras formas de fazer o processo andar", disse o líder russo, sem mencionar a possível ampliação de sanções ao país.

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