Ahmadinejad: Israel e EUA ‘não têm coragem’ de atacar o Irã

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumprimenta seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, durante encontro em Brasília (AP, 23 de novembro)
Image caption Lula respondeu às críticas à visita de Ahmadinejad

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta segunda-feira que Israel e Estados Unidos “não têm coragem” de atacar o país dele.

A declaração foi feita na coletiva de encerramento de sua visita ao Brasil quando um jornalista brasileiro perguntou se o Irã teria condições de repelir um ataque militar israelense ou americano.

"Entendemos que a era dos ataques militares já chegou ao fim. O tempo é de diálogo e reflexão”, disse Ahmadinejad.

“Usar armas e ameaças é coisa do passado até para pessoas atrasadas. Esses a que vocês se referiram (Estados Unidos e Israel) não têm coragem para praticar isso".

Leia também na BBC Brasil: Entenda a polêmica envolvendo o programa nuclear do Irã

Polêmicas

O presidente iraniano também aproveitou para mais uma vez lançar dúvidas sobre a ocorrência do Holocausto judeu na 2ª Guerra Mundial, uma das mais destacadas entre as muitas polêmicas levantadas por Ahmadinejad.

“Os palestinos não têm culpa pelas mais de 60 milhões de mortes da 2ª Guerra Mundial, que foi uma Guerra Europeia”, disse.

“Há pessoas que dizem que entre esses mortos havia muitos judeus e que havia alguns campos de concentração. Mas o que é importante é que os palestinos não tiveram nenhuma responsabilidade por esses 60 milhões de mortes”, afirmou o líder iraniano.

A mesma argumentação já havia sido usada poucas horas antes por Ahmadinejad, quando ele foi recebido no Congresso pelos presidentes do Senado, José Sarney, e da Câmara, Michel Temer, além de parlamentares das duas casas.

O senador Eduardo Suplicy deu ao presidente iraniano uma cópia de seu projeto Renda Básica de Cidadania, o programa de renda mínima que é uma das principais bandeiras do político.

Parlamentares do PSDB estenderam na entrada por onde chegou Ahmadinejad uma faixa com os dizeres “Holocausto Nunca Mais”. O deputado fluminense Marcelo Itagiba, que é judeu, soprou um apito por alguns segundos na chegada do iraniano.

Leia também na BBC Brasil: Perfil: Ahmadinejad surpreendeu Ocidente com retórica agressiva

Manifestação

Mas apesar da grande polêmica provocada pela visita, poucas pessoas foram participaram em Brasília dos protestos contra Ahmadinejad.

No entanto, o manifestante de um grupo que defende o direito dos homossexuais em Brasília conseguiu chamar a atenção da imprensa e da delegação iraniana ao se infiltrar na coletiva de imprensa que encerrou a visita oficial.

Em silêncio no fundo da sala, Julio Cardia levantou um cartaz com a frase “Pela vida dos gays no Irã e contra o presidente Ahmadinejad”, escrita em inglês.

Ahmadinejad ficou observando o cartaz por alguns segundos – ele não fala inglês – mas evitou esboçar qualquer reação. Depois de cerca de um minuto o cartaz acabou tomado por um membro da delegação iraniana, que iludiu o manifestante dizendo que queria filmá-lo.

Mas Cardia trazia debaixo da roupa uma bandeira com as cores do arco- íris – o símbolo internacional do movimento homossexual – que conseguiu exibir por cerca de mais um minuto, antes de ser retirado da sala (sem grande resistência) por seguranças iranianos e brasileiros.

Pouco antes, Ahmadinejad havia respondido uma pergunta sobre o que pensava das manifestações contra ele e da polêmica provocada pela visita.

“Aqui no Brasil, como no Irã, as pessoas tem o direito de dizerem o que pensam. Me parece que esses manifestantes representam uma minoria”, disse o iraniano.

Leia também na BBC Brasil: Lula defende direito do Irã de ter programa nuclear pacífico