Moratória de Dubai provoca quedas em bolsas de NY

Painel mostra queda no mercado de ações de Hong Kong
Image caption Medo de moratória de empresa árabe provocou quedas

As principais bolsas de valores dos Estados Unidos encerraram seus pregões com baixas nesta sexta-feira, refletindo os temores dos investidores em relação ao pedido de moratória feito por uma importante empresa de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Na quinta-feira, o pedido da empresa já havia derrubado bolsas europeias e, nesta sexta-feira, bolsas asiáticas fecharam seguindo a mesma tendência.

Em pregões mais curtos que o normal devido ao feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, da bolsa de Nova York, terminou o dia em queda de 1,48%, perdendo 154,48 pontos. A bolsa eletrônica Nasdaq recuou 1,73% e o índice Standard & Poor’s 500 ficou em -1,72%.

Os índices das bolsas de valores de Londres, Frankfurt e Paris chegaram a ter quedas durante o dia, mas reverteram a tendência e fecharam, respectivamente, com altas de 1%, 1,3% e 1,2%. No fechamento de quinta-feira, as três bolsas europeias haviam caído mais de 3%.

Em São Paulo, o índice Bovespa seguiu a tendência das bolsas europeias e fechou em alta de 1,04%.

Na Ásia, o índice Nikkei da Bolsa de Tóquio fechou em baixa de 3,2%, ainda refletindo as perdas do dia anterior. O Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, teve queda de 4,8%.

Dubai World

Os temores nos mercados foram detonados com a notícia, na quarta-feira, de que o conglomerado estatal Dubai World, responsável pela vasta expansão imobiliária do emirado, atrasará o pagamento de suas dívidas, avaliadas em US$ 58 bilhões – a maior parte da dívida do emirado, de US$ 80 bilhões.

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O conglomerado avisou credores que suspenderia o pagamento da dívida como primeiro passo para tentar reestruturar seus negócios.

A ameaça do calote de Dubai sacudiu os mercados internacionais, que estavam ou ainda estão tentando se recuperar da crise global financeira iniciada com a crise de crédito do mercado imobiliário americano, em setembro de 2008. Os problemas de o emirado reacenderam temores de uma nova crise de crédito global - que poderia provocar uma queda na demanda global por várias commodities, entre elas o petróleo.

Dubai, um dos sete emirados que compõem os Emirados Árabes Unidos, tem menos petróleo do que seus vizinhos. O emirado se tornou um importante polo turístico e comercial com ambições internacionais.

Uma das subsidiárias da estatal Dubai World, a Nakheel, foi a construtoras de um badalado condomínio erguido sobre uma ilha artificial na forma de uma palmeira.