Assessor de Zelaya diz que Congresso 'tem obrigação' de aprovar sua volta

Carlos Reina, assessor de Zelaya, abraça a mulher ao deixar a embaixada do Brasil nesta terça-feira (AP)
Image caption Reina deixou a embaixada do Brasil nesta terça-feira

Carlos Reina, principal assessor do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou nesta terça-feira que o Congresso hondurenho tem a “obrigação de restituir” o líder à Presidência na votação da quarta-feira.

A casa deve votar se autoriza ou não a volta do mandatário deposto até a posse do novo presidente eleito, em 27 de janeiro.

Até agora, Zelaya vinha repetindo que não aceitaria a restituição. Mas as declarações de Reina nesta terça-feira podem indicar uma mudança de posicionamento de Zelaya, que encontra-se refugiado na embaixada brasileira em Tegucigalpa desde 21 de setembro.

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“O Congresso tem a obrigação de decidir pela restituição incondicional do presidente”, disse Reina à imprensa após sair da embaixada brasileira, onde estava hospedado ao lado de Zelaya.

“Se não ocorrer a restituição, prosseguirá a ditadura”, disse. Ele também afirmou que está planejada uma manifestação pacífica em frente ao Congresso durante a votação de quarta-feira.

Ainda segundo Reina, se restituído, Zelaya denunciará as eleições ocorridas domingo como ilegais e pedirá seu cancelamento.

Ele ainda disse que, caso volte ao poder, o mandatário deposto iria pedir a restituição em seu mandato dos dias em que esteve afastado do cargo, desde 28 de junho.

Assembleia

Durante uma entrevista coletiva após deixar a embaixada brasileira em Tegucigalpa, Reina também afirmou que Porfírio Lobo, eleito presidente nas eleições de domingo, não entrou em contato com Zelaya para negociar e que o líder deposto “não aceitaria um diálogo que tem como objetivo maquiar um golpe de Estado”.

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O assessor disse ainda que aqueles que divulgam a informação de que Zelaya estaria estudando a possibilidade de pedir asilo ao final de seu mandato seriam “covardes”.

Crise

A crise política em Honduras teve início em 28 de junho, quando Manuel Zelaya foi destituído do cargo pelas Forças Armadas, acusado de violar a Constituição do país.

Antes de ser afastado, Zelaya defendeu que as eleições de 29 de novembro tivessem mais uma consulta, sobre a possibilidade de se mudar a Carta Magna hondurenha.

Segundo sua proposta, os eleitores decidiriam nessa consulta se desejavam que se convocasse uma Constituinte – o que, segundo Reyna, é “uma necessidade histórica de Honduras”.

Os críticos de Zelaya afirmam que sua intenção era mudar o marco jurídico do país para poder se reeleger, o que é vetado pela atual Constituição.

A deposição do presidente eleito foi condenada internacionalmente. No lugar de Zelaya, que foi levado para fora do país, assumiu um governo interino, liderado pelo antigo presidente do Congresso, Roberto Micheletti.

Zelaya voltou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada do Brasil, onde está desde o mês de setembro.

Micheletti afastou-se do cargo provisoriamente, podendo voltar ao poder dependendo da decisão do Congresso no dia 2.

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