Gates chega ao Afeganistão para 'pressionar Karzai'

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates
Image caption Gates disse que pretende se encontrar com as tropas no país

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, chegou nesta terça-feira ao Afeganistão e afirmou que pressionará o presidente afegão, Hamid Karzai, a indicar ministros “honestos” para o novo governo.

Segundo Gates, ele dirá a Karzai e a outros líderes afegãos que Washington continuará como parceiro do Afeganistão “por muito tempo”, mas que o governo americano espera que Cabul leve a sério o treinamento das forças de segurança como preparação para o início da retirada das tropas dos EUA.

“Ao passo que a situação de segurança melhore e nós estejamos capazes, com o tempo, de reduzir nossas forças, as relações civis, de desenvolvimento e econômicas, entre outras, se tornarão a parte predominante de nossas relações”, disse Gates a jornalistas durante o voo.

O secretário afirmou ainda que pretende se encontrar com as tropas americanas em território afegão durante a visita para dizer aos soldados que o país “está nesta para vencer”.

Karzai, reeleito em meio a diversas acusações de fraudes nas eleições presidenciais, afirmou, no discurso de posse, que nomearia ministros competentes e honestos para o novo governo.

O presidente deve anunciar o novo gabinete nos próximos dias.

Nova estratégia

Gates será a autoridade mais importante dos EUA a se encontrar com o recém reeleito presidente Karzai desde que Obama anunciou a nova estratégia para o Afeganistão e o Paquistão, na última semana.

Segundo o plano anunciado pelo presidente, o país enviará 30 mil novos soldados a partir do início de 2010. Obama afirmou ainda que pretende iniciar a retirada das tropas em julho de 2011 – antes das eleições presidenciais de 2012.

Na ocasião, Obama afirmou que as tropas adicionais ajudarão a preparar a retirada e transição para as forças de segurança do Afeganistão.

A nova estratégia militar americana para o Afeganistão foi anunciada depois de mais de três meses de discussões.

O anúncio ocorreu em meio a uma crescente preocupação nos Estados Unidos em relação ao conflito, que já dura oito anos.

O aumento da violência no Afeganistão - onde mais de 900 soldados americanos já morreram - e o polêmico processo eleitoral de agosto, com denúncias de fraude, aumentaram a oposição dentro dos Estados Unidos ao conflito.

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