Zelaya se encontrará com Lobo, diz presidente dominicano

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya
Image caption Zelaya afirma que não pediu asilo político a nenhum país

O presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, anunciou nesta sexta-feira um encontro em seu país entre o líder deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e o presidente eleito, Porfírio “Pepe” Lobo.

Segundo Fernandéz, o encontro estaria previsto para acontecer na próxima segunda-feira em Santo Domingo, depois de uma reunião com delegações das duas partes.

“Ambos vão se reunir aqui, na República Dominicana, com a finalidade de revisar a situação e então contribuir para a superação da crise que predominou no país irmão da América Central”, disse Fernández em uma coletiva de imprensa no Palácio Nacional.

O presidente dominicano afirmou ainda que o encontro seria o resultado de conversações com líderes e governantes de vários países da região.

Fernández ainda fez um pedido ao governo interino de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, para que facilite a saída de Zelaya do país “sem que se estabeleça nenhuma condição”. Apesar disso, o líder não declarou se havia chegado a um acordo com o governo de fato sobre esse pedido.

Zelaya se encontra refugiado na embaixada do Brasil na capital hondurenha, Tegucigalpa, desde 21 de setembro. Ele já demonstrou a intenção de deixar a sede diplomática “o quanto antes”, mas como presidente de Honduras – cargo que deveria deixar em 27 de janeiro, quando Lobo assumiria o posto.

Cooperação

O presidente da República Dominicana garantiu que as duas partes aceitaram participar do encontro no país caribenho.

O porta-voz de Zelaya, Rasel Tomé, confirmou que “mantém conversas” com o governo dominicano, mas não afirmou se efetivamente essa reunião realmente acontecerá ou em que condição Zelaya poderia sair da embaixada do Brasil.

“Agradecemos o esforço e a cooperação propostas pelo presidente Fernández para encontrar uma saída para a crise na qual nos encontramos em Honduras”, disse Tomé à BBC Mundo.

“Por enquanto o presidente Zelaya não pode falar sobre um salvoconduto para deixar o país”, acrescentou o porta-voz.

Eleições

O líder dominicano afirmou ainda que enquanto as eleições presidenciais hondurenhas – que ocorreram no último dia 29 de novembro – não são a solução definitiva para a crise no país, são um passo que “não pode ser ignorado”.

Fernández afirmou ainda que o que faltava era um diálogo político direto entre Lobo e Zelaya.

“Aqui temos o segundo elemento dessa equação, e acreditamos que pode ser já finalmente a solução para o drama que está padecendo Honduras”, disse.

Crise

A crise política em Honduras teve início em 28 de junho, quando Manuel Zelaya foi destituído do cargo pelas Forças Armadas, acusado de violar a Constituição do país.

Antes de ser afastado, Zelaya defendeu que as eleições de 29 de novembro tivessem mais uma consulta, sobre a possibilidade de se mudar a Carta Magna hondurenha.

Segundo sua proposta, os eleitores decidiriam nessa consulta se desejavam que se convocasse uma Constituinte – o que, segundo o principal assessor do líder deposto, Carlos Reyna, é "uma necessidade histórica de Honduras".

Os críticos de Zelaya afirmam que sua intenção era mudar o marco jurídico do país para poder se reeleger, o que é vetado pela atual Constituição.

A deposição do presidente eleito foi condenada internacionalmente. No lugar de Zelaya, que foi levado para fora do país, assumiu um governo interino, liderado pelo antigo presidente do Congresso, Roberto Micheletti.

Zelaya voltou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada do Brasil, onde está desde 21 de setembro.

No dia 29 de novembro, apesar da resistência de aliados do líder deposto, o governo interino realizou as eleições presidenciais, que acabaram elegendo o candidato da oposição, Porfírio "Pepe" Lobo como presidente. Ele deve tomar posse em 10 de janeiro.

Desde a vitória de Lobo, os aliados de Zelaya vêm discutindo uma saída honrosa da embaixada do Brasil.

Na segunda-feira, os países do Mercosul e a Venezuela reafirmaram o seu apoio a Zelaya, e manifestaram "total e pleno desconhecimento das eleições" realizadas no dia 29 de novembro.

"Ante a não restituição do presidente José Manuel Zelaya ao cargo para o qual foi democraticamente eleito, manifestamos o total e pleno desconhecimento das eleições, as quais foram desenvolvidas em um ambiente de inconstitucionalidade, ilegitimidade e ilegalidade", declararam.

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