Pelo menos 900 são detidos em protestos em Copenhague

Manifestantes protestam em Copenhague no sábado, 12/12
Image caption Manifestação precede semana decisiva que reunirá chefes de Estado

A polícia de Copenhague anunciou ter detido 900 manifestantes neste sábado, durante uma passeata que partiu do centro da capital dinamarquesa e percorreu 6 quilômetros até o centro de convenções onde acontece a conferência da ONU sobre o clima.

Apesar de o ato ter sido pacífico, alguns jovens atiraram tijolos contra a sede da Bolsa de Valores dinamarquesa, e os policiais entraram em ação para realizar o que chamaram de "detenções preventivas".

Imagens de televisão mostram os policiais colocando os manifestantes detidos sentados em filas na rua, com as mãos amarradas atrás das costas.

Segundo o enviado especial da BBC a Copenhague, Matt McGrath, uma fonte próxima ao governo dinamarquês disse que a maioria dos detidos seriam mantidos por até quatro horas, enquanto outros serão levados a juízes dentro de 24 horas.

A polícia informou que a manifestação contou com até 30 mil participantes. Mas organizadores dizem que reuniram mais de 100 mil pessoas.

<b>Futuro</b>

Os manifestantes levavam faixas pedindo ação imediata em frases como "A natureza não pode fazer acordo", "Não temos plano B" e mensagens defendendo direitos povos indígenas e de países pobres.

Ativistas calculam que cerca de 500 organizações não-governamentais participaram do protesto seguido por uma vigília à luz de velas em frente ao centro de convenções.

Entre participantes anônimos de todo o mundo, fantasiados de ursos polares, marcianos e outros personagens, estavam personalidades como a modelo Helena Christensen, o arcebispo Desmond Tutu, o líder da igreja anglicana, Rowan Williams e a ex-comissária para direitos humanos da ONU Mary Robinson.

Só o Greenpeace afirmou ter reunido representantes de 32 países para participar da passeata.

"A nossa mensagem para os mais de 120 chefes de Estado que chegam na semana que vem a Copenhague é unida, é global, é alta e clara: chegou a hora de nos unirmos e o futuro é agora", disse o diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo.

A reunião da ONU entra em sua última e decisiva semana nesta segunda-feira.

Chefes de governo de cerca de 150 países são esperados no encontro até a sexta-feira, quando se encerram estas discussões para avançar na definição de um acordo de redução de emissões de gases que causam o efeito estufa.

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