Líder do Irã diz que protestos são 'farsa' apoiada por estrangeiros

Image caption O Irã acusa o ocidente de aliar-se à oposição do país

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, classificou nesta terça-feira de "farsa nauseante" apoiada pelo Ocidente as manifestações da oposição no país, que deixaram pelo menos oito mortos no domingo.

"Os iranianos têm visto muitos destes jogos. Americanos e sionistas são a audiência deste espetáculo que eles encomendaram e venderam", disse ele, segundo a agência de notícias estatal IRNA.

"Uma farsa nauseante está sendo encenada", completou.

O Irã acusa as nações ocidentais de se aliarem à oposição para tentar prejudicar o Estado islâmico.

‘Soco’

O presidente americano, Barack Obama, condenou na segunda-feira à prisão de ativistas de oposição no país.

Leia mais na BBC Brasil: Obama pede libertação de manifestantes no Irã

No mesmo dia, o chanceler britânico, David Miliband, elogiou a "grande coragem" dos manifestantes e classificou de "perturbadores" os relatos de que as forças de segurança iranianas haviam reprimido os protestos violentamente.

O embaixador britânico em Teerã foi repreendido pelo governo do país, que afirmou que a Grã-Bretanha estaria intrometendo-se em assuntos de Estado.

"Se a Grã-Bretanha não parar de falar coisas sem sentido, levará um soco na boca", disse o ministro das Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki.

Por sua vez, o Parlamento em Teerã qualificou de "repugnantes" os comentários feitos por países do Ocidente acerca da violência no domingo.

O presidente da casa, Ali Larijani, pediu pena máxima para os envolvidos no protesto.

"O Parlamento quer que o judiciário e os órgãos de inteligência prendam aqueles que insultam a religião e imponham punição máxima a eles, sem reservas", disse.

Nobel da Paz

Também nesta terça-feira, a militante iraniana pelos direitos humanos e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2003, Shirin Ebadi, disse que sua irmã foi presa pelo serviço de inteligência do Irã na segunda-feira às nove horas da noite, horário local, em sua casa, em Teerã, por quatro agentes da inteligência.

Image caption Ebadi disse que irmã já vinha sendo pressionada pelo governo

A Prêmio Nobel acredita que a irmã, uma acadêmica, foi detida como forma de pressionar Shirin a suspender suas atividades na defesa dos direitos humanos no Irã.

"Nos últimos dois meses, minha irmã foi convocada pelo Ministério da Inteligência várias vezes e ordenada a me convencer a desistir das minhas atividades pelos direitos humanos. Ela também foi ordenada a se mudar de sua casa, que fica perto do meu apartamento, e eles ameaçaram prendê-la.”

"Minha irmã não está envolvida em qualquer atividade social, de direitos humanos ou política", ela acrescentou.

Três jornalistas e uma militante pelos direitos das mulheres também foram detidos, assim como várias personalidades importantes da oposição, dizem fontes oposicionistas.

O Irã vem sendo palco de protestos diários de oposicionistas desde a morte, no dia 19, de um dos principais clérigos dissidentes do Irã, Hoseyn Ali Montazeri, e as forças de segurança do país têm entrado em confronto com os manifestantes.

Políticos governistas estão exigindo "punição máxima" para os envolvidos.

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