EUA e Grã-Bretanha fecham embaixadas no Iêmen

Embaixada americana no Iêmen
Image caption Embaixada americana na capital Sanaa foi fechada no domingo

Os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha fecharam temporariamente suas embaixadas em Sanaa, capital do Iêmen, neste domingo alegando ter recebido ameaças de ataque do grupo Al-Qaeda.

Em uma nota publicada no seu site na internet, a embaixada dos Estados Unidos no Iêmen pediu que os cidadãos americanos tenham cuidado com sua segurança no país.

"A embaixada americana em Sanna está fechada hoje, dia 3 de janeiro de 2010, em resposta às ameaças contínuas da Al-Qaeda na Península Árabe de atacar os interesses americanos no Iêmen", afirma a nota.

Poucas horas depois, o ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha anunciou que sua representação na capital iemenita foi fechada devido a "motivos de segurança".

Ambas as embaixadas não disseram quando reabrirão suas portas.

O principal assessor do presidente Obama para segurança nacional e contra o terrorismo, John Brennan, afirmou em uma entrevista à televisão americana a Al-Qaeda tem "centenas de membros" no Iêmen e tem indicações de que o grupo está planejando um ataque na capital.

Brennan acrescentou as duas embaixadas foram fechadas para "dar ao governo iemenita uma oportunidade para evitar a ameaça e os planos que estão em prática neste momento".

"Sabemos que nossa embaixada, nossos funcionários, são alvo deles (Al-Qaeda), e queremos ter certeza de que fazemos tudo o possível para proteger nossos diplomatas e outros que estão lá", afirmou.

Os anúncios foram feitos um dia depois de o chefe do Comando Central dos Estados Unidos, general David Petraeus, ter prometido apoio americano ao governo do Iêmen contra a Al-Qaeda.

Em visita ao Iêmen, o general encontrou-se no sábado com o presidente do país, Ali Abdallah Saleh.

Atentado

Na semana passada, foi revelado que o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, que tentou explodir um avião que viajava da Holanda para os Estados Unidos no Natal, recebeu treinamento da Al-Qaeda no Iêmen. Desde então, o governo americano vem estudando formas de ajudar o governo do Iêmen a combater o grupo no país.

Neste domingo, representantes do governo britânico disseram que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, concordaram em financiar uma unidade antiterrorista da polícia no Iêmen para tentar combater militantes islâmicos no país.

Image caption Abdulmutallab esteve no Iêmen entre agosto e dezembro de 2009

Analistas acreditam que os Estados Unidos forneceram inteligência e ajuda às forças iemenitas que executaram ataques às bases da Al-Qaeda nos dias 17 e 24 de dezembro. Os ataques teriam matado mais de 60 militantes do grupo.

Na sexta-feira, o general Petraeus anunciou em Bagdá, no Iraque, que a ajuda financeira americana às ações antiterrorismo no Iêmen será duplicada este ano – passando de US$ 67 milhões em 2009 para US$ 112 milhões em 2010.

No sábado, Barack Obama acusou pela primeira vez em público o braço da Al-Qaeda no Iêmen pelo suposto plano frustrado para explodir um avião americano no dia 25 de dezembro.

Em sua mensagem semanal de rádio e vídeo, Obama disse que a Al-Qaeda no Iêmen treinou e deu armas ao nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab.

O grupo já havia assumido a autoria em um comunicado divulgado na semana passada.

Abdulmutallab, que está sob custódia americana, é acusado de tentar detonar explosivos amarrados em seu corpo quando o avião, que levava quase 300 pessoas, se preparava para aterrissar.

O governo do Iêmen confirmou que ele esteve no país entre agosto e o início de dezembro.

Antes de pegar o voo para Detroit, Abdulmutallab embarcou em Gana, fazendo conexão em Lagos, na Nigéria, rumo a Amsterdã.

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