China diz que Google é bem-vindo desde que aceite 'operar de acordo com a lei'

Manifestantes se concentram em frente ao escritório do Google em Pequim para defender o portal
Image caption Google, que domina 35% do mercado chinês de buscas na internet, pode deixar o país

A China disse nesta quinta-feira que empresas de internet que queiram “operar de acordo com a lei” são bem-vindas no país.

O comentário vem em resposta à decisão anunciada na véspera pelo portal de buscas Google, que disse que não vai mais bloquear conteúdo censurado pela liderança comunista e que considera deixar de operar na China, se isso for necessário.

Buscas por expressões como "democracia", "direitos humanos" e outros assuntos "sensíveis" são controlados na internet chinesa, mas o governo não admite abertamente que pratica censura.

A decisão do Google de ignorar essas restrições foi anunciada depois de a empresa ter sofrido um ataque de hackers que tentaram entrar nos servidores do serviço de e-mail Gmail para espionar contas pessoais de dissidentes chineses.

Comentando em um blog o ataque dos hackers, o diretor de assuntos legais do Google, David Drummond, disse que o objetivo primário dos invasores era “acessar contas do Gmail de ativistas de direitos humanos”.

Jiang Yu, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, negou que o governo tivesse promovido a ação, disse repudiar “qualquer tipo de ataque cibernético” e afirmou que a internet na China é aberta - na prática, porém, usuários da rede no país não podem acessar livremente conteúdo de teor político contrário aos interesses de Pequim.

Ataque

O jornal estatal China Daily disse nesta quinta-feira que o ataque dos hackers “resultou em roubo de propriedade intelectual”, mas não mencionou a acusação feita pelo Google de que a razão da invasão seria a de espionar as contas pessoais de ativistas de direitos humanos.

Conhecido pelo lema corporativo “Don't Be Evil” ("não seja mau", em tradução livre), o Google vinha sofrendo fortes críticas do Ocidente por aceitar operar sob o sistema de censura comunista.

Na China, o conteúdo disponível em sites de busca da internet passa obrigatoriamente pela aprovação do Departamento de Informação e Propaganda.

O Google vinha se submetendo a essas restrições desde que se estabeleceu no país em 2006.

A empresa disse que pretende negociar com o governo uma forma de operar um sistema de busca que não seja censurado e esteja de acordo com a lei, mas isso parece impossível a julgar pelo forte sistema de controle de internet que existe atualmente.

Temendo pelo fim do Google na China, dezenas de pessoas depositaram flores e acenderam velas em frente à sede da sede da empresa em Pequim, num gesto de solidariedade e luto.

Atualmente existem mais de 338 milhões de usuários de internet na China e o Google é o segundo site de buscas mais popular, com uma fatia de 35% do mercado, atrás apenas do líder Baidu.com, que detém 58%.

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