General diz que Brasil 'marca posição' com distribuição de comida no Haiti

Foto divulgada pela Minustah mostra militar brasileiro entregando água para haitiana (Getty Images, 22 de janeiro)
Image caption General afirmou que Brasil 'não pode perder oportunidade' com questão haitiana.

O general brasileiro Floriano Peixoto, chefe das tropas da missão de paz das Nações Unidas no Haiti (Minustah), afirmou que uma grande operação de distribuição de alimentos realizada nesta sexta-feira em Porto Príncipe foi uma forma de o Brasil “marcar posição” no país caribenho.

“Não podemos perder essa oportunidade para mostrar a importância do Brasil, lamentavelmente, nessa tragédia”, disse o general durante a operação, que atraiu uma multidão de haitianos para a frente do palácio presidencial, que foi destruído pelo tremor do último dia 12.

A logística para a distribuição de alimentos nesta sexta-feira foi a maior já organizada no país desde o terremoto.

Um comboio com seis caminhões e onze carros blindados foi estacionado em frente à sede presidencial, formando uma espécie de corredor para a fila de haitianos que iam buscar comida.

“Esse evento é uma forma de marcar posição”, disse o general, que, durante a operação, pedia a jornalistas que registrassem a ação com fotos.

As declarações do general foram feitas em um momento em que alguns setores brasileiros veem com desconfiança a maior interferência americana nas operações no país caribenho.

Conselho de Segurança

Peixoto disse ainda que o Brasil tem “um peso enorme” na intermediação de conflitos e que a participação brasileira no Haiti “contribui bastante” para a campanha do país por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A mensagem do militar contraria as declarações do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que afirmou, na quinta-feira, que não há “rivalidade” entre Brasil e Estados Unidos na recuperação do país.

Os EUA já têm o maior contingente militar no Haiti. Estima-se que, desde o terremoto, 10 mil americanos já tenham desembarcado no país do Caribe.

Já o Brasil tem 1.266 militares servindo no país. Este número, no entanto, pode ser aumentado, com a autorização do Congresso Nacional.

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