Declaração de Shannon é 'intromissão grosseira', diz Venezuela

Image caption Shannon recebeu honras militares após encontro com Lula

A Venezuela qualificou como "ingerencistas" e "irrespeituosas" as declarações do novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, que afirmou que o governo de Hugo Chávez deveria "dialogar" com seus opositores.

"Esta declaração significa uma nova e grosseira intromissão de seu governo (dos Estados Unidos) nos assuntos internos", da Venezuela, diz um comunicado emitido pelo Ministério de Relações Exteriores no final da noite desta sexta-feira.

"O embaixador Shannon deveria dedicar-se a sua missão de promover as relações entre Estados Unidos e Brasil e não utilizar o território brasileiro para agredir ou intervir nos assuntos internos de nossa pátria", afirma o documento.

Na nota, a chancelaria venezuelana retoma a acusação feita na quinta-feira, ao afirmar que há uma articulação entre o governo de Washington e a oposição venezuelana para derrocar o atual governo.

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Shannon "está fazendo parte e evidenciando uma sincronização de setores de seu país e grupos de poder tradicionais no nosso país em uma campanha que pretende gerar uma situação de instabilidade com os mais torpes fins antidemocráticos".

Ao assumir a embaixada norte-americana em Brasília, na quinta-feira, Shannon aconselhou o governo da Venezuela a "não reprimir e sim abrir espaço e escutar ao povo venezuelano", em referência as manifestações de opositores realizadas nos últimos dias.

"A Venezuela está passando por um momento difícil. Do nosso ponto de vista, é importante, em um momento de crise política, abrir um espaço político para todo o povo", afirmou Shannon.

A chancelaria venezuelana, por sua vez, disse que o diplomata americano não pode "pretender dar lições de democracia" à Venezuela, que realizou mais de dez eleições desde 1999 e que se encaminha para as eleições legislativas em setembro.

"Nos próximos meses o povo venezuelano poderá avaliar todas as ofertas políticas e expressar-se com toda liberdade nas urnas", diz o comunicado.

Desde que Chávez chegou ao poder, as relações diplomáticas entre Caracas e Washington têm sido marcadas por permanente conflito. A última crise entre os dois países está marcada pela presença de tropas norte-americanas em sete bases militares na vizinha Colômbia. Para Chávez, a presença dos Estados Unidos na Colômbia representa uma ameaça à paz regional e à sua revolução.

Os Estados Unidos e a Colômbia, por outro lado, defendem o uso das bases para o combate ao narcotráfico e às guerrilhas.

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