Reunião de Obama para aprovar reforma da saúde termina em impasse

Barack Obama  durante a reunião em Washington
Image caption Obama havia pedido que congressistas não transformassem reunião em teatro político

Terminou em impasse a reunião entre democratas e republicanos promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na quinta-feira, para conseguir a aprovação da reforma do sistema de saúde do país.

O encontro foi a mais recente cartada de Obama para tentar convencer o partido de oposição a aprovar sua nova proposta, apresentada na segunda-feira, mas rejeitada pelos republicanos.

O presidente quer que milhões de americanos passem a ser cobertos pelo sistema público de saúde. No entanto, os representantes do partido Republicano não consideram a ideia aceitável e querem começar a reforma do zero.

O senador Mitch McConnell, líder da minoria republicana na Casa, disse que "estava desencorajado pelo resultado" da reunião. Em sua visão, o presidente e seus aliados querem reviver o projeto de mudanças na saúde que já está paralisado no Congresso.

"Eu não acredito que qualquer republicano vá apoiar essa lei de 2,7 mil páginas", disse McConnell.

Já a senadora democrata Nancy Pelosi garantiu que pretende continuar com a campanha a favor da reforma na saúde.

"Essas pessoas que estão doentes ... querem que a gente aja, eles querem resultados", disse.

"Nós precisamos ter a coragem de concluir esse trabalho, e nós iremos. Eu acho que a reunião de hoje nos levou um passo adiante para melhorar o sistema de saúde, para baixar os custos e torná-lo muito mais acessível para muitos americanos", analisou Pelosi.

Batalha ideológica

No início da reunião, que foi transmitida pelas principais redes de televisão americanas, o presidente Barack Obama havia feito um apelo às 40 lideranças presentes para que encerrassem a ''batalha ideológica'' entre republicanos e democratas.

"Todos sabemos que isto é urgente e, infelizmente, no decorrer do ano, apesar de todas as audiências que ocorreram e todas as negociações, e pessoas dos dois lados trabalhando muito nesta questão, isto se transformou em uma batalha muito ideológica, se transformou em uma batalha partidária e política", afirmou.

"O que espero conseguir hoje é que todos se concentrem, não apenas nos pontos em que discordamos, mas se concentrem nos pontos em que concordamos, pois, na verdade, existem pontos de concordância importantes em várias questões."

"Se mantivermos a mente aberta e não tentarmos conseguir pontos políticos, então poderemos alcançar algum progresso", disse Obama.

O encontro debateu o controle de custos do setor da saúde, reformas no setor dos planos, redução do déficit e a expansão da cobertura.

A reforma do sistema de saúde foi uma das promessas de campanha do democrata e é considerada uma das prioridades de seu governo. No entanto, até agora Obama não conseguiu a aprovação.

Ao anunciar suas nova propostas na segunda-feira, a Casa Branca afirmou que a iniciativa "ajudará mais de 31 milhões de americanos que não tem condições de pagar o seguro saúde e tornará a cobertura mais acessível para muitos mais".

Image caption Até o formato da mesa da reunião gerou polêmica

McCain

Nesta mesa o presidente Obama, o vice-presidente Joe Biden e outras lideranças democratas estiveram frente a frente com o líder da minoria republicana no Senado Mitch McConnell e o senador pelo Arizona John McCain – este último, o candidato derrotado do Partido Republicano à Casa Branca em 2008, quando Obama foi eleito.

O correspondente da BBC em Washington Mark Madell afirmou que Obama pediu ideias dos dois lados, mas os republicanos não pareciam estar com um espírito de cooperação. O repórter já adiantava antes da reunião que quase não havia chances dos cerca de 17 republicanos participantes concordarem com qualquer proposta que fosse apresentada na quinta-feira.

No final de 2009, a Câmara dos Representantes e o Senado aprovaram versões diferentes da proposta de reforma de Obama.

Agora, os congressistas americanos precisam unificar as duas versões, criando um texto único que possa ser enviado para a assinatura do presidente Barack Obama.

Mas, em janeiro, os democratas perderam um assento no Senado para o republicano Scott Brown, do Estado de Massachusetts. Com isso, o partido do presidente Obama perdeu a maioria de 60 assentos no Senado, que facilitaria a aprovação da reforma.

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