Farc exigem garantias de segurança para entrega de reféns

Soldado colombiano realiza patrulha contra guerrilheiros no Departamento de Cauca (AFP, 20 de fevereiro)
Image caption Guerrilha exige desmilitarização de área para libertar reféns

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) exigiram nesta segunda-feira do governo colombiano a desmilitarização de uma zona no interior do país para a libertação de dois soldados - um deles gravemente doente - que estão em poder da guerrilha há mais de dez anos.

As negociações para a libertação de Pablo Emilio Moncayo, Josué Daniel Calvo e a entrega dos restos do corpo do policial Julián Ernesto Guevara, morto em cativeiro, se arrastam desde abril do ano passado, quando as Farc anunciaram o gesto de maneira unilateral.

A guerrilha exige que o governo de Álvaro Uribe anuncie um cessar-fogo e a interrupção de operações aéreas na região onde serão libertados os reféns, para garantir a movimentação dos rebeldes envolvidos e da missão humanitária que participará do resgate.

"Imediatamente o governo torne público o texto com os protocolos de segurança e (caso) eles sejam satisfatórios, avançaremos com velocidade" para a libertação dos reféns, diz um comunicado da guerrilha publicado pela Agência de Notícias Nova Colômbia (Anncol), próxima às Farc.

Ainda por meio do comunicado, as Farc informaram que o estado de saúde do soldado Calvo é "precário" e que permanentemente o refém tem que ser carregado pelos guerrilheiros "em meio às operações militares do Exército", fator que "aumenta os riscos tanto para ele como para nossas unidades (rebeldes)".

Operação

O governo colombiano, por sua vez, anunciou que não ordenará um cessar-fogo antes das eleições legislativas do próximo domingo, como era a expectativa dos familiares dos reféns.

"Estamos empenhados em garantir a segurança do processo eleitoral. Não seria lógico suspender as operações" militares, disse o general Freddy Padilla, comandante das Forças Armadas da Colômbia.

"Os colombianos devem compreender que é impossível realizar operações humanitárias esta semana para libertar companheiros que faz tempo deveriam estar livres", afirmou.

Quando for autorizado o resgate, a senadora opositora Piedad Córdoba, - designada pelo governo para mediar a libertação - deverá receber as coordenadas do local do resgate.

Além de Córdoba, participarão da missão humanitária o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, um representante da Igreja Católica, o pai do cabo Moncayo e a mãe do policial morto em cativeiro.

Assim como ocorreram nas duas libertações de reféns anteriores, o Brasil apoiará com aeronaves e a tripulação para o resgate.

Impasse

O impasse para estas duas novas libertações ocorreu devido à negativa do governo de autorizar entregas graduais dos reféns.

O governo de Álvaro Uribe considera que as Farc buscam recuperar sua imagem internacionalmente ao promover libertações incondicionais e paulatinas, razão pela qual o governo exigia a entrega simultânea dos 24 oficiais que ainda são mantidos em cativeiro.

Meses depois, Uribe cedeu aos pedidos dos familiares e autorizou a missão humanitária de resgate.

Se concretizada, a libertação do oficial Montoya dará fim a um dos mais emblemáticos casos que marca o conflito militar interno na Colômbia.

Desde o sequestro do filho, há mais de 12 anos, o professor Gustavo Moncayo passou a realizar caminhadas dentro e fora da Colômbia com uma corrente presa ao corpo para exigir ações que resultassem na libertação do filho e em uma saída negociada para a guerra que dura mais de seis décadas.

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