Lula pede que EUA negociem 'rapidamente' fim de retaliação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante inauguração de termelétrica em Cubatão (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Image caption Lula afirmou que Brasil não tem interesse em 'confrontação'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que o Brasil “não tem interesse em confrontação com os Estados Unidos” ao divulgar a lista com produtos americanos que passarão a ser sobretaxados ao entrar no país, e pediu que o governo de Barack Obama “negocie rapidamente” um fim à retaliação comercial.

“Eu queria pedir ao companheiro Obama que colocasse as suas pessoas para negociar rapidamente. O Brasil não tem nenhum interesse em nenhuma confrontação com os Estados Unidos”, disse o presidente durante a inauguração de uma usina termelétrica em Cubatão, São Paulo.

Uma lista com 102 itens importados dos Estados Unidos que passarão sofrer sobretaxas ao entrar no Brasil foi divulgada na última segunda-feira pelo Ministério da Indústria e Comércio.

Entre as mercadorias que receberão tarifas que vão de 12% a 100% estão desde escovas de dentes até produtos da chamada linha branca, como geladeiras e fogões.

A medida – que envolve um total de sobretaxas de US$ 560 milhões - é uma retaliação autorizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) aos subsídios pagos pelos Estados Unidos aos seus produtores de algodão.

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“Bagunça”

Em seu pronunciamento, Lula afirmou que “há sete anos o Brasil tem brigado” para que os Estados Unidos retirem os subsídios aos produtores de algodão e que a OMC deu “ganho de causa” ao Brasil no assunto.

O presidente fez um apelo para que os Estados Unidos respeitem a decisão e retirem os subsídios.

“O Brasil tem interesse que os Estados Unidos respeitem as decisões da OMC tanto quanto o Brasil respeitará quando a OMC decidir contra nós. Ou nós obedecemos as instituições multilaterais ou o mundo vai virar uma bagunça”, disse.

Segundo Lula, os subsídios americanos não prejudicam tanto os produtores brasileiros, mas sim os produtores dos países africanos.

“Quem precisa que os americanos diminuam os subsídios do algodão não é o produtor brasileiro, porque nós temos competência, terra, sol, água e tecnologia para competir com americano, com chinês e com francês, quem não tem são os pobres dos países africanos, que ainda não receberam a tecnologia dos países ricos”, disse.

Após a divulgação da lista de retaliação, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) se disse "decepcionado" com a decisão do governo brasileiro.

Leia também na BBC Brasil: EUA se dizem ‘decepcionados’ com retaliação do Brasil

Segundo um porta-voz do órgão, no entanto, governo americano continuará trabalhando na busca de uma solução para a disputa e espera chegar a um acordo com o Brasil nos próximos 30 dias.

Uma segunda série de medidas de retaliação do governo brasileiro no valor de US$ 269 milhões deve ser divulgada pelo Ministério da Indústria e Comércio no dia 23.

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