Netanyahu terá que optar entre parceiros da coalizão e Obama, afirmam analistas

Vista do assentamento israelense de Har Homa em Jerusalém Oriental (AFP)
Image caption EUA pressionam Israel a suspender construção de assentamentos

Em vista da pressão crescente do governo americano pelo congelamento dos assentamentos nos territórios ocupados, vários analistas israelenses afirmam que o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, terá que optar entre seus parceiros de extrema-direita na coalizão governamental e uma relação estável com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Poucas horas antes do encontro - considerado decisivo - do premiê israelense com o presidente americano, analistas israelenses afirmam que Netanyahu se aproxima do "momento da verdade", no qual terá que optar: ou manter sua coalizão com os partidos de extrema-direita ou evitar uma crise mais grave com os Estados Unidos, o aliado mais próximo e mais poderoso de Israel.

"Netanyahu deve escolher entre Eli Ishai (ministro do Interior, do partido ultra-ortodoxo Shas) e (Avigdor) Lieberman (ministro das Relações Exteriores, ultra-direitista) e o governo de Obama", afirma o historiador Chelo Rosenberg, em artigo no site de notícias do jornal Maariv.

"O presidente Obama vai fazer perguntas difíceis e exigir respostas claras e o primeiro-ministro não vai poder continuar se esquivando", acrescenta.

Crise de confiança

O anúncio do governo de Israel sobre a construção de 1,6 mil casas em Jerusalém Oriental foi o estopim de uma crise de confiança entre o país e os Estados Unidos, que começou durante a visita do vice-presidente americano Joe Biden a Israel, há duas semanas.

Os planos israelenses de expandir os assentamentos em Jerusalém Oriental também levaram a Autoridade Palestina a voltar atrás na retomada das negociações com Israel, que deveria ser anunciada durante a visita de Biden.

O encontro de Obama com Netanyahu, que deverá ser realizado nesta terça feira, em Washington, tem o objetivo de esclarecer as divergências entre os dois países e uma das questões mais importantes que deverão ser discutidas é a construção de assentamentos em Jerusalém Oriental.

Para o colunista do jornal Haaretz Yoel Marcus, "acabaram os truques" e agora Netanyahu tem que "pôr todas as cartas sobre a mesa".

Marcus também aconselha o premiê israelense a não "contar histórias" a Obama sobre restrições por causa da coalizão governamental.

"Não diga que está acorrentado a Lieberman e Ishai, o governo americano entende bem a politica interna de Israel e sabe que o Kadima está disposto a entrar no governo", acrescenta Marcus, referindo-se à possibilidade de que Netanyahu se separe de seus parceiros ultra-direitistas e convide o partido de centro, Kadima, liderado pela ex-chanceler Tzipi Livni, para entrar no governo.

A entrada do Kadima, que tem 28 cadeiras no Parlamento, poderia compensar a saída dos partidos Shas e Israel Beiteinu, que ao todo têm 26 cadeiras, e assim Netanyahu poderia manter o apoio da maioria do Parlamento.

O analista político do jornal Haaretz Akiva Eldar vai mais longe e afirma que a escolha de Netanyahu deverá ser entre uma coalizão com os Estados Unidos e os países árabes contra o Irã ou permanecer com sua coalizão com Lieberman e Ishai.

De acordo com Eldar, "o presidente Obama convidou Netanyahu à Casa Branca para lhe perguntar o que está disposto a fazer para bloquear o Irã".

"Hoje será apresentada a Netanyahu a opção entre a formação de uma coalizão americana-árabe-israelense contra o Irã, semelhante à coalizão de Bush o pai contra o Iraque há 20 anos, ou a coalizão de direita, do Likud-Israel Beiteinu-Shas", afirma Eldar.

O jornal do partido Shas, Yom Leyom, chamou o presidente Obama de "muçulmano" e defendeu seu líder, o ministro do Interior, Eli Ishai, que esteve por trás do anuncio das construções em Jerusalém Oriental.

"O ministro Eli Ishai fez muito bem de anunciar a todos que querem ouvir que Israel vai continuar construindo em Jerusalém", afirmou o jornal. "Obama é um muçulmano e amador que quer incendiar Jerusalém."

O líder do grupo de extrema-direita Eretz Israel Shelanu, o rabino Shalom Dov Wolfa, afirmou que "Hussein Obama declarou uma guerra aberta contra o Abençoado e Santificado e será castigado como aconteceu com todos os inimigos que declararam guerra ao povo de Israel".

O cunhado de Netanyahu, Hagai Artzi, ativista da extrema-direita, chegou a chamar o presidente americano de "anti-semita".