'Economist' questiona defesa de Estado mais forte no Brasil

Dilma Rousseff durante o congresso do PT em fevereiro
Image caption Para revista, recuperação reforçou crença de Dilma num Estado forte

Apesar do crédito dado pelo governo ao papel do Estado na recuperação econômica brasileira, a eleição presidencial do Brasil não deve “alterar fundamentalmente o balanço entre a iniciativa privada e o Estado no Brasil”, segundo afirma reportagem publicada na edição desta semana da revista britânica The Economist.

Em um artigo intitulado "Caindo de amores novamente pelo Estado", a revista alerta para possíveis sinais de que o governo e a candidata à Presidência Dilma Rousseff poderiam ter aprendido "lições erradas" do processo de recuperação da economia.

Mas a própria revista diz que declarações de Dilma elogiando a "política clara do governo de fortalecer a Petrobras" e o desempenho de empresas estatais durante a crise poderiam ser vistas como uma arma de retórica da candidata para ganhar a confiança da base tradicional do Partido dos Trabalhadores (PT), que só abandonou a defesa do socialismo em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente em sua quarta tentativa.

“O governo não tem o capital para construir rodovias, portos e aeroportos, e continuará a buscar o setor privado para isso. Quando Rousseff não está elogiando as companhias estatais brasileiras, ela comumente fala sobre a necessidade de parcerias entre o Estado e o setor privado”, diz a revista.

Apesar disso, observa a Economist, “há muitas evidências de que o próprio Lula, que muitos esperam continuar a ser o poder por trás do trono se Rousseff vencer a eleição, acredita agora que um papel maior para o Estado na economia seria bom para o Brasil”.

Trampolim

Para a revista, cada novo dado sobre a economia “mostra que a breve recessão de 2009 no Brasil foi uma queda em um trampolim”, com um salto grande neste ano, levando os líderes brasileiros a restaurar sua crença no papel do Estado na economia.

A reportagem afirma que a visão do governo sobre o papel do Estado no combate à crise “está ao menos parcialmente correta”. “Foi útil ter fontes de crédito controladas pelo governo quando o crédito de fora secou no fim de 2008”, diz a revista.

Apesar disso, o texto afirma que “este não é o quadro completo”. “Os bancos privados brasileiros também se saíram bem. Não houve quebras de grandes bancos, nem a necessidade de salvamentos pelo governo – uma prova da saúde do sistema bancário que emergiu de uma crise prévia em meados dos anos 1990”, comenta a revista.

Para a Economist, a defesa das empresas estatais também “ignora o sucesso da privatização”. A revista cita os casos da Vale e da Embraer como emblemáticos, mas também afirma que a própria Petrobras, apesar de estatal, cresceu após abrir parte seu capital e começar a atuar mais como uma empresa privada.

A revista conclui dizendo que “de qualquer maneira, Rousseff começou um importante debate, que pode reverberar pelos próximos seis meses”. Mas, citando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, diz que deverá ser uma discussão sobre se o Brasil ‘poderia se dar melhor com ‘um capitalismo burocrático no qual o Estado ordena e resolve as coisas’ ou com ‘um capitalismo liberal e competitivo’”.

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