Agência de risco rebaixa nota da Espanha e aumenta tensão na Europa

A vice-premiê espanhola Maria Teresa de la Vega
Image caption Vega tentou tranquilizar a população e os mercados após o rebaixamento

A Espanha teve sua nota de risco de crédito rebaixada de AA+ para AA nesta quarta-feira pela agência de classificação Standard & Poor's, um dia depois de Grécia e Portugal também terem seus graus de investimento rebaixados.

Apesar de a Espanha ainda figurar entre os países considerados bons pagadores, com grau de investimento, a agência considerou que o país "deve passar por um período longo de crescimento menor, o que enfraquece seu orçamento", e cogita rebaixar ainda mais sua nota.

O governo espanhol pediu calma aos mercados após o anúncio da agência. De acordo com a vice-premiê da Espanha, Maria Teresa de la Vega, o país possui um plano para cortar o déficit público.

"Temos um plano muito sério de consolidação fiscal e corte do déficit público. Adotamos um programa de austeridade, implementamos uma reforma do mercado de trabalho", disse a vice-ministra.

"Estamos adotando todas as medidas necessárias para honrar nossos compromissos. Quero mandar uma mensagem de confiança à população e de calma aos mercados."

FMI

O rebaixamento espanhol, junto com a classificação de "podre" da dívida grega e a queda em duas posições da nota do crédito de Portugal, aumentou os temores nos mercados de que a crise na Grécia pode estar se espalhando para outros países da zona do euro.

O euro foi cotado nesta quarta-feira a US$ 1,3128 - o menor valor desde abril de 2009. A maioria das bolsas europeias registrou queda, com a de Madri chegando a cair 2,99%.

Em Nova York o indice Dow Jones fechou em alta de quase 0.5% depois que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) divulgou sinais de fortalecimento da economia do país e afirmou que manterá as taxas de juros baixas. O indice Bovespa fechou em leve alta de 0.22%.

O diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, visitou a Alemanha nesta quarta-feira para tentar convencer políticos locais a aprovar o pacote de resgate financeiro à Grécia.

Durante a visita, Strauss-Kahn disse que cada dia que passa sem que a crise grega seja resolvida ameaça espalhar o problema "para locais distantes".

"Precisamos restaurar a confiança", afirmou o dirigente do FMI. "Tenho certeza de que o problema será resolvido, mas, se não o resolvermos na Grécia, podem haver muitas consequências para a União Europeia."

Grécia

A Alemanha é o país da zona do euro que entraria com a maior parte - cerca 8,4 bilhões de euros - do pacote de ajuda à Grécia.

As autoridades alemãs demonstraram relutância em liberar o dinheiro, porque queriam que a Grécia adotasse mais medidas de austeridade. A liberação de recursos para o pacote ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento alemão.

Na terça-feira, a chanceler alemã, Ângela Merkel, reiterou que a Grécia precisa apresentar novos planos para reduzir o déficit de seu orçamento antes que a Alemanha aprove a liberação do dinheiro para o pacote de ajuda de 45 bilhões de euros.

"Vocês têm que economizar, vocês têm que ser justos, vocês têm que ser honestos", advertiu Merkei. "senão, ninguém pode ajudá-los."

O diretor do FMI foi a Berlim acompanhado do presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, para tentar convencer os políticos alemães de que a ajuda de bilhões de euros para a Grécia é "o último recurso".

O governo grego precisa obter alguma ajuda até meados de maio, quando vence uma dívida de 8,5 bilhões de euros. Na Grécia, manifestantes defendem que o país dê o calote para que os bancos internacionais arquem com o preço da crise.

Segundo analistas, os mercados não estão convencidos de que os governos da zona do euro vão ter a vontade política necessária para chegar a um acordo sobre a ajuda para a Grécia, especialmente na Alemanha.

Também nesta quarta-feira a Grécia adotou medidas para impedir que investidores apostem na queda dos preços das ações, o que poderia prejudicar ainda mais a confiança no mercado.

Leia mais: Governo grego tenta coibir especulação em meio a agravamento de crise

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